Monday, April 29, 2013

Kiss me, baby.


O papo rolou em 2010 e entrou pros anais da história familia Perrier. Filhota maior totalmente "revoltada" pelos beijos e amassos que rolavam entre colegas da escola. Chegou em casa e jogou-se na minha cama.  Quando uma delas se joga na minha cama é sinal que vem encrenca. Deitei junto e fui cutucando a oncinha até ela soltar o verbo. Não foi necessário recorrer à tortura, no caso: cosquinhas. Ela relata o ocorrido meio que incomodada... e diz que não entende o porque daquilo tudo. Aff. 
Como boa mãe e adapta da sinceridade à toda prova lasquei:

_ Aquilo tudooooooooooo só acontece por um motivo: beijar é bom! Muchooooooooo bom!
_ Que é isso mãe?!?
_ É isso aí. Beijar é bom. Dar um amassos é melhor ainda. E o que vem depois é mais do que bom, senão a raça humana já estaria extinta. Então take easy... 
_ Mamis!!!
_ O fato de você ainda não querer, não estar a fim, não estar na hora... não significa que outros não estejam. Já tem meninas e meninos da sua turma namorando. Normal. N O R M A L. Do mesmo modo que é normal você ainda não estar a fim. Cada um tem seu tempo de amadurecimento. 
_ Eles exageram!
_ Tudo nessa época é exagerado, até você. Agora pare de agir como se fosse uma beata coroca de 72 anos e não um menina de 12, porfa!
_ Mamis, como foi seu primeiro beijo?
_ Meus primeiroS beijoS, você quer dizer... 
_ Sabia que tinha que ser diferente. Pensando bem, nem sei se quero saber.
_ Mas agora vou contar, empolguei! Kkkkkkkkkkkkkkkkk
_ Nãoooooooooo!

...   



(aguardem continuação no próximo post... musiquinha de suspense)

Sunday, April 28, 2013

"Teje" excomungada...

Lembra que eu contei em detalhes como foi meu vestido de noiva? Esqueceu? Da uma lidinha aquiPrimeiro eu fui alvo da aposta mais estapafúrdia: 

 - Inaie vai se casar de vermelho, com um vestido doido de pedra!

 - Não! Vai se casar de branco, véu e grinalda, com um vestido super tradicional!  

 Sem saber que tramavam ganhar din din ás custas da minha escolha vestidística, me casei de branco, num vestido com véu, grinalda que ao mesmo tempo era a coisa mais doida que já entrou igreja adentro. Além de ter que ser "seguro" com arames, por que não tinha tecido suficiente pra manter o bichinho no corpo!

Acontece que quando eu entrei na igreja, lepida e saltitante, feliz da vida, me sentindo MARAVILHOSA, a padre quase surtou.
Disse que ia me excomungar,e  a minha mae, que nem em Deus acredita, contornou a situacao na maior maestria:

- Excomunga amanha padre! Hoje vamos fazer esse casamento...

Saturday, April 27, 2013

Blogueira convidada - Luciana



Você quer falar de gente doida? Maluca? Fora da casinha? Então você está mesmo no lugar certo.
A primeira vista, a Lu é uma menina super normal, mas quando você a conhece melhor, descobre que ela é capaz de qualquer loucura por amor.
No post de hoje, ela conta uma história super caseira, de dona de casa amantíssima e dedicada.
O que vocês não sabem, mas eu vou contar por que sou fofoqueira, é que ela cometeu uma das grandes loucuras da sua vida, em nome do amor.
A Lú, que eu tive o prazer de primeiro conhecer pessoalmente e depois virtualmente ( doida essa inversão, né não?) atravessou o mundo em nome de uma paixão.
Ela conheceu um cara maravilhoso, se apaixonou, jogou tudo prá cima e apostou num relacionamento do outro lado do mundo, com uma pessoa de uma cultura completamente diferente da dela.
A sua maluquice deu super certo - hoje eles são um casal lindo e feliz!
Quer saber mais sobre as andanças dessa doida? Visite o blog dela Sweet Home Canada


Sempre gostei de trabalhos manuais, desde a época do jardim de infância quando fazíamos trabalhos de sucata; colar, cortar, desenhar, sempre foram paixões, acho que ser filha de professora de jardim de infância ajudou. Também sempre tive uma certa paixão por costura, mas nunca enfiei a cabeça para aprender, adorava passar as horas vendo minha avó costurar, ela era e ainda é a costureira da família. Vestidos de noiva, de damas, de festa, fantasias de bale e até roupinha de boneca era só discar 1800-vovó e o problema estava resolvido. Minha mãe também costura, mas nunca teve muita paciência pra coisa, se resumindo a fazer pequenas pecas de roupa ou minhas cortinas.

Minha primeira experiência com as agulhas veio com o bordado, comprei uma revista, estudei o ponto de cruz e fiz, mostrava pra minha avo e ela corrigia meus erros. Amo bordar é uma ótima forma de passar o tempo e relaxar, e minha mãe fica doida pois ela odeia o ponto de cruz e vive dizendo "coisa chata, vai, vai, vai, volta, volta,volta. Parece que nunca vai acabar", o que é verdade. Mas a minha maior vontade era aprender a usar a máquina de costura, mas e o medo?! Medo de costurar meus dedos, já pensou nisso? 

Coisa de 3 anos atrás, eu e uma amiga tivemos a ideia de abrir uma confecção de bolsas, ela desenharia as bolsas e eu costuraria. A coisa não foi pra frente pois na época voltei pro Canada e ela no Bahrain ficaria complicado começar uma negócio. Mas no mesmo ano o meu marido meio que deu um empurrãozinho para eu ir a diante com a ideia. Procurei tudo que seria necessário para construir uma bolsa e como fazer, mas faltava o básico: Aprender a usar uma máquina de costura!

Como estava de viagem marcada pro Brasil, decidi que ia ser nessa viagem que iria perder o medo da dita cuja, sentei com a minha mãe e minha irmã e ela foram me explicando passo a passo, como passar as linhas, como fazer arremate, como e por que usar os diferentes tipo de pontos e o mais difícil: controlar o pedal da máquina… E como é difícil! Controlar o pedal da maquina é como controlar o acelerador do carro, pisando leve você vai bem devagar e se pisar fundo pode dar de cara num poste, no caso da máquina você corre um serio risco de costurar o dedo e acreditem, já aconteceu comigo. Posso dizer que essa primeira experiência foi uma tortura, eu suava frio, tremia, não enxergava direito, tudo isso só para fazer uma ponto reto, simples, num pedaço de pano. 

Passado esse inicio conturbado, eu e a máquina de costura nos tornamos BFF. Comprei a minha máquina e a amo de paixão. Comecei a fazer as minhas bolsas, onde no início levava um dia inteiro para fazer 1 bolsa e hoje dependendo do tamanho da bolsa posso fazer entre 3 -6 bolsas (claro quando o tempo permite), mas não parei por ai, me aventurei em outros projetos, fiz as cortinas da minha casa, não pago mais por bainha, já fiz sacos de dormir pro meu sobrinho e o trabalho atual são capas de almofadas pro meu sofá. Ainda não fiz nenhum curso de corte e costura, sou na verdade self taught aprendi tudo através de blogs e You Tube, mas tenho sim vontade de fazer cursos por vários motivos que eu poderia passar o dia aqui explicando……

Enfim levou 31 anos mas finalmente eu tive a minha primeira vez com a tão desejada maquina de costura 

Friday, April 26, 2013

Também tenho o direito de tietar!

O que você faria se de repente encontrasse com seu herói bem no meio da rua?! 

Miss Bellum ficou tietando a Sandy no meio da faculdade - para vergonha da nação roqueira a que ela se dizia pertencer. E se Electra e Sherazade tivessem encontrado os Menudos no auge de suas calças coloridas? E se Ira tivesse encontrado David Bowie, assim cara a cara?! E se a Rainha de Copas encontrasse Brutus por aí?
Rainha de Copas assanhada!
Todas chora de paixão nessa gaiola por algum herói jamais esquecido...

Mas eu tenho que dizer que o meu sonho de encontrar com meu herói foi realizado! E o meu herói não era só internacionalmente famoso, mas bonito, forte, corajoso, inteligente, nobre! 

Um belo dia estava eu na fila do ônibus para ir pra casa quando de repente aparece ele! Com seu belo uniforme e armado! Dizem que as mulheres gostam de homens fardados, mas isso é porque elas nunca viram um herói frente a frente! O uniforme de herói é muito mais emocionante que a farda de um militar! Ainda mais quando se trata de um uniforme em cores vibrantes, que fazem enaltecer o corpo atlético que o veste!

O fato de um herói andar armado faz com que as pessoas a sua volta se sintam seguras, e quando a arma não oferece um risco iminente para a sociedade, mas somente causa algum dano se for utilizada contra o crime torna tudo mais belo, romântico e próximo de um sonho!!!

Ah, meninas, já as vejo suspirando, só de imaginar a presença dos heróis de seus sonhos!

Eu tive que aproveitar a oportunidade, que poderia nunca mais se repetir, para tirar um retrato dele: o herói das Américas! E pra mostrar que sou generosa e permitir que as paixões suspirem de donzelas... digo, digo... que as donzelas suspirem de paixão, eis aqui a foto que tirei do herói, que somente teve tempo de me dizer: "Coloca no seu facebook!"

Com marreta biônica, anteninhas e tudo!!!
O que foi?! Estão olhando com a cara ruim porque? Cada um com seu herói, oras!

Thursday, April 25, 2013

A primeira cachaçada


CACHAÇAR - Do verbo "tomar todas". Ato ou ação de elevar a concentração de álcool no sangue a ponto de reduzir a zero a consciência de um ser humano.

Eu perguntaria "quem nunca?", mas realmente tem gente que nunca! Mas não eu. Eu já!

"Cara de quem tá aprontando"
Quando eu era mais nova, e ainda morava na casa de mamãe, sempre escutava as histórias dos amigos contando das mais diversas e absurdas situações alcoólicas presenciadas e vividas. Eu achava exagero sabe. Porque como assim a pessoa faz um monte de merda e não se lembra no dia seguinte? Pega aquele cara escrotão que tava na festa e depois jura que não? Vai dormir na casa de um desconhecido e depois nem sabe onde acordou? Como assim o teto roda se ele está lá, paradinho?

Enfim, eram questionamentos básicos que eu me fazia enquanto escutava as histórias (geralmente contadas por outros, que não o bêbado em questão, porque ele mesmo sempre jurava não saber de nada daquilo).

E tem até a célebre frase "Khoo de bêbado não tem dono"... Eu sempre achei engraçado mas nunca tinha pensado que alguém pudesse roubar um Khoo por ai assim (inocência a parte).

Minha mãe tem a mesma cara!
Dai que o tempo foi passando, e eu comecei, bem superficialmente, a experimentar uma cervejinha ou outra. Mas, evidentemente, nunca a ponto de chegar na situação citada acima (tanto porque, se tivesse chegado assim na casa da minha mãe ela teria ceifado minha vida).

Mais um pouquinho de tempo se passou e de repente eu estava morando sozinha, lá em Campinas (Unicamp! Salve!). E quando você mora sozinho ninguém te proíbe de fazer nada de errado! Pelo contrário, a galera até incentiva e vai junto.

Era mais ou menos assim...
Eis que descobri a magia de jogar sinuca em butecão. Passando noites regadas a Brahma - de Agudos, por
favor! (os bêbados ai sabem porque) ou Skol geladíssima! Depois disso veio a magia do videokê com a amida da filosofia (esse povo da filosofia era sempre tranquilo, quebrado e lesado - machonhado, e eu adorava transitar no meio deles, mas sem ser maconhada, porque né, eu precisava dos meus neurônios pra passar nas matérias da engenharia). E sabe que depois de algumas geladas aquele som que a princípio era um desastre, começa a se tornar um show ao vivo! E a vergonha de ir lá cantar na frente de todo mundo .... que vergonha??? E ali as pessoas se transformavam.

Tomara que o dono dessa foto não ache ela aqui...!
Os pedreiros da obra vizinha ao bar se tornavam grandes amigos e pagavam cerveja pra gente. Tinha gente muito estranha que no final da noite parecia tão normal, assim como eu (e a amiga da filosofia que me levava nesses lugares... é, faz parte do aprendizado da vida: lugares onde você não deve ir em sã consciência).

E foi embalada nessa atmosfera livre, leve e solta que em uma certa noite de quinta feira, lá no ano de 2000 (e eu sei que foi quinta porque na sexta eu tinha que ir para casa em São Paulo) eu sai com a amiga da Filosofia e mais um amigo da Civil para jogar uma sinuquinha inocente no começo da noite, afinal, já estava chegando o final de semana e precisávamos tirar o stress dos nossos corpos (que à eles não pertencia).

Só para deixar a situação mais clara vou descrever o amigo da Civil. Era um japinha, mais baixo do que eu, mais novo do que eu, mais lesado do que a amiga da filosofia, que se comunicava através de grunhidos e me chamava pelo nome errado. Eu era uma pessoa muito seletiva quando se tratava de escolher amigos.

Fomos para o bar. Dessa vez pertinho de casa, sem pedreiros e sem videokê. Só a mesa de sinuca e as cervejas geladas.

Começamos a jogar, tomamos uma, jogamos mais um pouco, tomamos outra, pedimos batatinha frita e um X-bacon, tomamos mais uma e mais outra e mais outra, jogamos mais um pouco, tomamos mais uma e de repente eu estava acordando no banheiro da minha casa, deitadinha no chão.

Não entendi porque eu estava ali, nem como tinha chegado, mas achei melhor ir até a sala para deitar no sofá (porque no quarto tinham mais duas meninas dormindo e eu não queria acordá-las. Morar em república é um saco as vezes). Tentei levantar mas foi muito difícil, então conclui que seria mais viável me deslocar engatinhando, afinal o sofá não ficava tão longe assim.



Deitei com a barriga pra cima e olhei pro teto. E ELE GIROU!!! E girou, e girou, e girou! Resolvei fechar os olhos pra ver se ajudava, dai a casa toda girava. Achei mais seguro ficar com os olhos abertos e sentar ao invés de ficar deitada. E eu fui para os braços do Deus Hipnos... Zzzzz...

Foi EXATAMENTE assim!

Na manhã seguinte acordei e já não tinha ninguém na casa. O sol já estava alto e, evidentemente, eu tinha perdido a aula. Parecia que eu tinha levado uma porrada no estômago, estava enjoada, com a cabeça pesada e o coração batendo forte. Quando olhei pro lado, a capa do sofá estava toda vomitada.

Ah, se fosse só isso...
Sentei, olhei pro chão e pensei: NUNCA MAIS EU BEBO!!!

Pena que não...
Levantei e fui para a lavanderia pegar um pano pra começar a limpeza. No caminho eu achei uma caixa de hamburgueres em cima da mesa. De onde será que veio aquilo? Fiquei encarando a caixa com medo da resposta. E nada de lembrar... Resolvi colocar na geladeira e continuar com a limpeza.

De onde veio aquela caixa???
Uma das piores coisas do mundo é ter que limpar vômito com o estômago enjoado, mas enfim, eu precisava limpar... lavei a capa, limpei o chão e a parede, fui procurar mais algum estrago que eu poderia ter feito e fui tomar banho. Arrumei minhas coisas e zarpei para o final de semana em São Paulo.

No momento eu preferia uma boa morte...
Segundona de manhã cheguei na aula e encontrei o amigo japa.

Amigo Japa: Tudo bem com você??? (risadinha)

Eu com cara de "o que foi que eu fiz": Tudo... porque???

Amigo Japa: É que você tava MAAALLL quinta...

Eu: .... é... eu passei mal...

Amigo Japa: Comeu o hamburguer?

Eu: Como você sabe do hamburguer?

Amigo Japa: Fui eu quem te deu... Num lembra que a gente foi lá em casa depois que saímos do bar?

Eu, com cara de rolha: ... não...

Tomara que não tenha acontecido nada desse tipo...
O amigo japa resolveu parar de conversar e ficou só rindo da minha cara. E foi naquele momento que eu descobri como era cachaçar de verdade! Foi ali que eu percebi que tudo aquilo que eu escutava e não acreditava, realmente acontecia! Foi ali que eu lembrei do khoo do bêbado... e que o meu, graças à Deus, ainda estava inteiro (mas podia não estar, então era melhor tomar mais cuidado)!

Dias depois fui na casa do Amigo Japa com a amiga da filosofia, porque eu ainda não sabia onde era, para irmos jantar um X-bacon (eu adorava esse sanduíche), foi então que eu enxerguei um muro amarelo e comecei a ter uns flashs... Muro amarelo... portão cinza... o amigo japa com uma caixa de hamburgueres na mão........... E só!

E foram só essas as lembranças daquela fatídica noite. Até hoje eu não sei como foi que eu cheguei em casa. Até hoje eu não lembro de ter saído do bar e ter ido até a casa dele. Até hoje eu não sei como eu consegui vomitar dormindo.... mas tudo isso aconteceu... e eu estava lá (mesmo que apenas de corpo presente).

Depois dessa, houve outras noites, outros porres, outros apagões de memória, muitas e muitas promessas de "Eu nunca mais bebo" que nunca foram cumpridas, muitas histórias, muitas risadas, muitos jogos de sinuca, muitas Brahmas e muitas Skols... e felizmente sai com meu khoo ileso!

Mas cuidado! Você ai pode não ter essa mesma sorte!!!



Wednesday, April 24, 2013

G-E-N-I-O

Tem um premio que eu não gostaria de ganhar... Vejam bem... Eu NÃO quero ganhar!

Eh o Darwin Awards...

O premio dado a toda anta, ops, pessoa com intelecto reduzido que conseguiu se matar de maneira estupida, deixando assim de perpetuar a especie e seguir com sua herança hereditária pouco adaptada.

O premio existe de 1993 e ja "honrou" muitos brasileiros.... Eike orgulho

A justificativa, em ingles, fala que: "In the spirit of Charles Darwin, the Darwin Awards commemorate individuals who protect our gene pool by making the ultimate sacrifice of their own lives. Darwin Award winners eliminate themselves in an extraordinarily idiotic manner, thereby improving our species' chances of long-term survival."

Eh isso ai! Que os tontos não procriem... 

Estou sendo maldosa, eu sei... Mas eh tudo culpa de um aluno que tem me tirado do serio!

O ganhador do Darwin Awards que eu mais gostei foi um brasileiro (Brazil-zil-zil!!!) e eh do Parana... Foi um padre que conseguiu uma maneira maravilhosa de visitar seu "chefe" (Deus)... hahaha

Como? Fácil! Ele encheu trocentos baloes de gás, amarrou em seu corpo e saiu voando!!! Voar, voar, subir, subir!!! Pra que? Pra morrer de frio!!! Um grande de um mane!! Nao sabia que a temperatura da Terra decresce com a altitude? G-E-N-I-O!

Em homenagem ao padre e a tantos outros gênios deixo uma musiquinha muito pertinente.


Monday, April 22, 2013

Andar com fé eu vou...

que a fé não costuma faiá. Ô iaiá!

Já disse que tenho uma família meio doida diferente, o que acho normal devido às circunstâncias. Doña Mamily então, sempre foi um ser... meio estranha. Pensa numa mãe que deixa sua pimpolha ir numa festa (eu achava que era uma festa!) aos nove anos, junto com seus coleguinhas de kombi (naquele tempo era kombi mesmo!), na casa do motorista da dita. Seu Zé, figuraça o seu Zé. Mulato cheio de ginga e exxxxpertise carioca de idade indefinida porém avançada. Tinha nove anos, qualquer pessoa com mais de 18 era "velha" pra mim. Imagina um que devia (chutômetro) ter mais de 40, 50, 60... sei lá.  Sei que naquele fim de ano escolar o seu Zé cismou de fazer uma festa pros fedelhos que transportava pra escola.
Nunca entendi o porquê. Afinal a gente só azucrinava ele. Quer dizer os outros só azucrinavam ele... eu era uma santa. Durante todo aquele tempo só me lembro de dois episódios em que estive envolvida. Convenhamos que dois míseros episódios durante um ano escolar inteiro - ida e volta - não é nada. No primeiro foi porque uma turma de lesadas (todas as meninas da kombi menos minhas irmãs, claro) duvidaram que eu tinha virado "mocinha". É tinha nove anos e já tinha menstruado. Uma covardia da vida. Quem mandou ser grandona? O caso é que as chiliquentas patricinhas duvidaram de mim quando confirmei a informação. Não sei como elas ficaram sabendo, mas... Duvidar de mim? Tão me chamando de mentirosa? Voaram penas pela kombi em movimento e o pobre do seu Zé desesperado mandando a gente ficar quieto na avenida movimentada. Foi tenso. Não me lembro se levei bronca em casa.
Da segunda vez a culpa não foi minha. Quer dizer, da primeira vez também não foi. Mas dessa vez NÃO foi mesmo culpa minha. Tinha uma mini perua pink purpurinada que se achava a rainha da beleza da kombi. Nunca liguei porque ela era menor - em idade e em tamanho. Enfim, desde cedo sempre foi boa nisso de ignorar os idiotas ainda que não tivesse conhecimento da incrível tese da antipatia seletiva: não dá pra ser legal com todo mundo. Daí que, do alto dos seus nove anos, Electra - a mocinha, ignorava aquela coisinha loira e abjeta. Mas a irmã de Electra não. Tinha fascinação pela  figura e queria de todo modo ser "amiguinha" dela. Coisa de criancinhas de... oito anos! Elas - irmã de Electra, mini Barbie do mal e outras duas da gang sentavam lá atrás, no lugar das pirralhas. Não sei o que houve, mas rolou barraco. Foram as três pra cima da irmã de Electra... não que ela fosse santa. Não era. Mas três contra uma é injusto e Electra não estava a fim de chegar em casa e ouvir sermão por não cuidar da irmãzinha. Electra pulou para o banco dos fundos e entrou na briga. Voaram mais penas pela kombi em movimento... Dessa vez teve confusão em casa. A mãe da Barbie do mal foi lá reclamar e dizer que a pobre e inocente filhinha dela era cardiaca (cê jura, dona?) e uma menina maior tinha dado uma surra nela. A menina maior era eu, claro. Mas aquilo estava longe de ter sido uma surra... Mesmo porque quando a coisa ia ficar boa... seu Zé estacionou o carro e separou a gente. Pensei que seu Zé fosse infartar naquele dia de tanto que gritou e bufou e ficou vermelho. Já viram negro velho ficar vermelho? Electra já!
Bem, no fim do ano o seu Zé resolveu fazer a tal da festa na casa dele. Apesar de eu acha que ele devia mais é querer ver a gente pelas costas. E a mãe de Electra deixou ela ir junto com a irmã menor e mais duas ou três crianças que tinham mães igualmente  irresponsáveis modernas e ecléticas. A casa do seu Zé era um terreiro de macumba. De verdade! Levamos horas pra chegar lá, em algum lugar depois do depois dos subúrbios da cidade. Estrada de chão, a casa parecia um mini sítio, no primeiro andar era o terreiro. Tô falando sério! e em cima a casa da família mesmo. Nunca tinha ido num terreiro de candomblé - hoje sei que o nome certo é esse - mas na época... a gente achava que era de macumba e pronto. Conhecemos todo mundo, família e amigos do seu Zé. Ajudamos a por a mesa - graaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaandíssima - no quintal. Até roubamos comemos um pouco da pipoca do santo. Achamos que ele(s) não iam ligar... e pipoca é pipoca, oras!  Dançamos samba, pelo menos tentamos dançar... aquela roda era divertida! Aprendemos sobre a religião do seu Zé, que nos ensinou tudinho sobre seus santos e santas, deuses africanos e exús e mais um monte de coisas que se perdeu no imaginário infantil. Depois assistimos a missa mais doida do mundo... pelo menos foi assim que Electra descreveu o que viu. Foi inesquecível viver tudo aquilo, o som dos tambores e atabaques, as pessoas vestidas de santos, o seu Zé fumando charuto... dei bronca nele dizendo que fumar faz mal, rs... os cantos, as danças e tudo o mais me deixaram hipnotizada e durante muito tempo pensei que tudo aquilo era um tipo de contos de fadas e que não era real. Adorei!
No fim do outro ano ele não nos convidou para outra festa. Fui perguntar o porquê e ele disse que os pais das outras crianças não gostaram dele ter feito a missa doida. Fiquei feliz por minha mãe nunca ter posto limites religiosos ou intelectuais em casa. Éramos católicos zoneados segundo ela. Fiz a catequese no ano seguinte e lembro de rir muito de certos dogmas cristãos. Em casa a missa aos domingos era voluntária, tinham livros espíritas por todo canto, uma mãe chegada em esoterismo rosa cruz, um pai ateu, uma avó adventista, e parentes de todas as vertentes religiosas. O mais estranho de tudo para Electra era um tal de bisavô grão duque maçon... ela não entendia exatamente o que era isso e criança pensava se o biso era um tipo de sangue azul de alguma religião diferente.
Mas o mais marcante era a vó - mãe da mãe de Electra - praticamente uma Dona Benta mineira, que dizia sempre que não era possível viver sem fé, que a fé ensina a viver, fosse qual fosse a fé... tinha que ter uma. E que não admitia neta à-toa.... neto ateu tudo bem, mas neta à-toa de jeito maneira! A questão era que ela só tinha netas, kkkkkkkkkkk.




Sunday, April 21, 2013

O primeiro vestido de noiva


Meu casamento

A primeira vez que eu me casei, eu era novinha,  tinha 21 anos. Acabei a faculdade e achei que ja estava mais que na hora de virar gente grande.
Ja contei aqui a minha relacao pouco tradicional com religiao. O negocio e que quando eu resolvi me casar, quis por que quis que meu pai entrasse comigo na igreja. Isso mesmo, me casei de veu, grinalda, com padre, sermao e tudo o que eu tive direito.

Voces se lembram que eu me casei com 21 anos? E se hoje eu nao sou la muito "normal" imagine 17 anos atras.

Fui comprar meu vestido de noiva sozinha, la na Rua das Noivas em Sao Paulo. Olhava, olhava e nada me agradava.

Eu queria um vestido que tivesse a minha cara, que fosse diferente, que fosse marcante.

Subi aquela rua, desci aquela rua, e nada!

Ai vi uma loja otima, com um estilista maravilhoso, e decidi desenhar meu proprio vestido. Com a ajuda do fulano, claro.

No final, o vestido ficou MARAVILHOSO. Infelizmente nao tenho fotos, meu pai, num ataque xiliquento, jogou todas as fotos fora.

Vou ver se consigo descrever o bendito:

Branco.
BRANCO? Sim, branquinho.

Todo bordado em perolas.
O que? Perolas? Ta louca?
Perolas delicadissimas, um charme.

Veu. Grinalda.
E alguem quer me convencer que esse dito cujo era diferente? esta parecendo o vestido da vovozinha.

A gola dele era bem alta, abotoadinha no meu pescoco ( como colarinho de padre, mas branquinho ne.
Um vestido curto, um palmo acima do joelho.
Mangas compridas - era julho - fazia frio.

Quando vi o desenho, achei que tinha "quase"a minha cara. Ai falei pro estilista:

Faz um zigue zague na barra.Como bandeirinha de Sao Joao.

Ele fez.

Agora faz um losango imenso atras e deixa as minhas costas de fora.
Ele concordou, apesar de achar estranho.

Opa, esse negocio de losango esta me animando. Separa as mangas do vestido, deixa os meus ombros de fora. Meus ombros sao  bonitos
Ok. La vao mais dois losangos.

Eu sempre tive peitao, e o vestido nao tinha decote nenhum - abre um losango no peito. sensual, mas nao grande demais para nao ficar vulgar.

Acho que ele queria infartar, mas nao podia ne? Abriu o losango.

Pronto!! Agora so falra um no umbigo. Do mesmo tamanho do decote.

Queeeee?

Abre ai.

O cara passou horas tentando me convencer a fazer esses losangos todos com um forrinho, ou tirar o tecido mas deixar um tulezinho, uma organzazinha, qualquer coisa...

Na, na ni na nao!

O jeito foi colocar um arame para segurar todos esses losangos, ja que depois dos cortes e recortes, nao havia tecido suficiente para manter o vestido no lugar!

Para parecer vestido de noiva, so faltava mesmo uma cauda. Colocamos uma cauda removivel, em organza plissada, que caia retinha e abria quando tocava o chao.

Nao sei se a minha explicacao foi muito visual ( saco, por que o meu pai tinha que ter jogado as fotos no lixo???).

O vestido ficou barbaro. Tinha a minha cara!! So que tive que compra-lo. A loja disse que nao poderia fazer primeira locacao, por quee nao haveria segunda locacao...kkkk

Saturday, April 20, 2013

Blogueira convidada - Grazzy

Sobre nossa guest post do dia... é minha maravilhosa DIVA de Curitibas, Grasy, a dona e única responsável pelas deliciosas loucuras do blog Então tá!  Ano passado tive a sorte de desvirtualizar minha divosa, foi memorável. Estraguei a tarde dela no escritório... ficamos horas e horas de papo. Difícil saber que fala mais ou quem tem mais caso engraçado pra contar, a disputa foi dura. 
Só que acabei cometendo um pecadinho (vergonha total). Estava com as unhas mal feitas, tipo assim... na frente da rainha dos esmaltes! Quando percebi era tarde demais e não dava pra disfarçar. Shame, shame, shame! Espero que ela tenha ficado encantada o suficiente com a lixa de unha de escama de peixe amazônico (yeah, mimo minhas zamigas) e tenha esquecido minhas unhas lascadas e cuticulas mal feitas. 
Agora, com vocês um texto da minha esmaltrice purpurinada preferida:



Então que pela primeira vez fui convidada a escrever para um blog. Blogstar style, saca? Tou suuuuuuuuuuper me sentindo! A.M.E.I o convite da minha pitangueira querida, a Gê, e pretendo honrá-lo com dignidade guardadas as devidas proporções quando se trata da minha pessoa.

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Quando isso aconteceu comigo pela primeira vez, eu já tinha passado um pouco da idade pra isso. Sei lá, a maioria de quem “estreava” estava na média de 17, 18 anos! Imagina eu, com 22 anos, como me sentia, sabendo que aos 22 anos ainda não tinha feito... Fico mais assustada ainda quando vejo que o normal agora é o “debut” acontecer aos 13 anos isso quando não começam com 10! Não contei pra ninguém, fiquei com vergonha do que os meus colegas de faculdade iam falar – principalmente pelo fato que a minha maior influência veio de um programa de TV.

Como assim, Mona?

Antes da primeira vez, fui pesquisar sobre o assunto pra me inteirar sobre como seria. Quais as implicações, o antes, o durante e o depois. Afinal, se até programa de TV tinha sobre o assunto, era pq muita gente tinha experiência sobre isso – muita gente, but me. Não queria me magoar nem me arrepender depois, algo tipo “por que, PORQUE não esperei mais um pouco, e agora?”.
A primeira vez que escrevi num blog o que pensaram que era, seus safadchenhos?, procurei hospedagem no Blogger brasileiro – sim, aquele que foi comprado pela Globo.com. Afinal, eu era quase virgem em tecnologia; não tinha internet em casa; era fanática pelo extinto programa que passava na MTV, o Blog MTV; queria ser famosa e... adorava/adoro escrever! Fiquei nervosa, em frente à tela do micro, escrevendo e apagando parágrafos várias e várias e várias vezes.

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Nem lembro direito o que escrevi, provavelmente algo no estilo “oi, eu sou a Grasi, tenho X anos, blá blá blá blá...”; naquele estilo diarinho mega chato, quase um blog Restart pink glitterizado e com figurinhas da Hello Kitty, pq não sei fazer piadinha. Sério. De verdade. Lembro que reli pelo menos 7 vezes o meu texto de 3 parágrafos de 3 linhas cada, pra ter CERTEZA de que não tinha nada revelador demais; que não estava mal escrito; que era atraente; que tinha potencial e diferencial. Afinal, era a época do booom dos blogs, vlogs, flogs, eteceteralogs, sou.legal.quer.me.conhecer.logs, sou.engraçadão.logs... Eu não queria ser “só” mais uma. Eu queria um blog que tivesse milhares de acessos, que as pessoas lessem meus textos e se identificassem com eles, que os leitores quisessem me conhecer, e talvez, até participar de um programa de TV ou rádio sobre o assunto.
Mas o que realmente, realmente, realmente me motivou a clicar no “publicar” do blogger brasileiro (quando ainda era gratuito, que saudades), foi a vontade de, desde criança, escrever. Escrever um livro, um artigo, qualquer coisa que as pessoas leiam, se identifiquem, e pensem “nossa, foi a Grasi q escreveu isso...” – enfim, fazer qualquer coisa que influencie, ainda que por um minuto, a vida dessas pessoas.
Mas quer saber a melhor parte? Depois da 1ª vez que publiquei no blog, saí ganhando em, sei lá, triplo: pq eu comecei com um blog Restart pink glitterizado e plumatizado com figurinhas da Hello Kitty que brilham no escuro, passei pra um blog da Família Lima (e que ainda tenho!), depois pra um blog pessoal, depois pra um de emagrecimento, voltei pro pessoal... E, nesse meio tempo, ganhei, no mínimo, 10 amigas! Que estão quase todas no meu Facebook, e que algumas eu conheci pessoalmente, outras eu só falo pela internet, mas pode contar: são amigasamigasamigas MESMO!!!

Desse jeito, quando eu escrevo no blog, sou a maior beneficiada!

Friday, April 19, 2013

Eu sempre tive o cabelo enorme. Aos 6 anos, quando eu entrei na escola, minha mãe resolveu cortar as pontinhas do meu cabelo e eu, chateada com isso, abaixei a cabeça bem na hora em que a tesoura cortou, fazendo a pontinha cortada medir uns 25 cm! Ganhei de presente um cabelinho cortado na  altura da orelha, que eu amava, e jurava que me deixava parecida com a Patrine*. 
Estão vendo algum cabelo aqui? Nem eu, mas 20 anos atrás, eu jurava
que meu chanel me fazia parecer com ela!
Depois disso, meu cabelo cresceu e cresceu e cresceu e cresceu. Sempre foi grande, compridíssimo. Eu era praticamente o primo Id! 
Prazer, sou a estagiária inominada!
Com o tempo, meu cabelo deixou de ser liso, mas eu não percebi por muitos anos. Como eu achava que meu cabelo era liso, e minha mãe dizia que para o cabelo ficar sedoso era necessário dar pelo menos 100 escovadas nele por dia, ele ficava mais ou menos parecido com uma vassoura, só que menos arrumado. Imaginem um cabelo que desce até os quadris, penteado seco. Era como o cabelo da Anne Hathaway em "O diário da princesa", só que castanho escuro e três vezes mais comprido. 

No ensino médio me ensinaram que cabelo cacheado não podia ser penteado, e eu aprendi! Mas daí  passei mais uns 6 anos sem permitir que se cortasse mais que 1cm do cabelo em cada vez por ano que eu ia ao salão. As pessoas ainda me incentivavam nessa loucura, dizendo que meu cabelo era lindo e que eu jamais deveria cortá-lo. Em 2009 ele era tão comprido que fiz uma escova e ele ficou batendo na coxa! (Eccaaaaa!!!)

Até teve um dia, no trabalho, uma advogada (bendita seja essa alma caridosa!) me jogou uma indireta: "Seu cabelo é tão bonito... Eu gosto de cabelo comprido, mas eu não uso porque não fica bem em mim: às vezes o cabelo fica bonito, mas a gente fica feia com ele..." Eu nem me toquei que era uma indireta, e continuei com meu cabelão nojento.

Até o dia em que eu vi umas fotos do meu cabelo num churrasco que participei. Achei muito feio. Achei que estava me engordando e tampando meu rosto e trazendo tudo mais de ruim que cabelo em excesso causa na imagem de uma mulher. 
Cabelo de vassoura, cara de meme.
Achei tão feio, que fui parar no salão na mesma semana com a instrução: "Corte como quiser". Foi a glória para minha cabeleireira, que era revoltada de nunca poder cortar mais que um dedinho do cabelo.

Ela foi cortando timidamente, começando pelas pontas e eu a avisei: "tou falando sério, pode cortar como quiser!". Ela fez como os cabeleireiros dos programas de TV, e cortou tudo à altura do ombro, pra depois começar a repicar. Me arrependi na hora!

Mas confesso que depois valeu a pena. Nunca recebi tantos elogios como após aquele corte de cabelo! Ficou assim:
Vou levar uma bronca por publicar essa foto...
Desde então, de tempos em tempos volto lá pra ela refazer esse corte, mas quem disse que ela corta assim de novo????? Sempre corta muito mais que isso e sempre diz que é porque eu não ia gostar se ela cortasse desse jeito. Eu fico brava, choro, reclamo... mas eu sou santinha-cagona e sempre volto lá pra ela cortar muito de novo!

Há duas semanas eu refiz o corte que me deixa careca.

Por isso esse post. Ainda estou brava. Sei que vocês vão preferir ver uma foto, mas no momento em que escrevo esse post meu cabelo está tão tão tão tão bagunçado que sou incapaz de registrá-lo com uma câmera! 

Feliz sexta feira pra vocês!!!

*Ahá!!!! Ninguém lembrava quem é Patrine, né?

Thursday, April 18, 2013

O primeiro celular



Hoje é difícil uma pessoa se imaginar sem seu celular. Bate o desespero, aquela sensação de que a vida está acontecendo e que você está em um mundo paralelo (talvez a quarta dimensão do Gonzo... eu sempre quis entrar naquele armário...).

Mas a vida nem sempre foi assim. Havia uma época (doces tempos) em que a pessoa podia caminhar livre pelas ruas sem a mãe/namorado/chefe/amigo/telemarketing do cartão de crédito ficar ligando para incomodar... Podia dizer que ia dormir e sair pra festa sem ter o pai ligando a cada 10 minutos pra saber o que a pessoa está fazendo... Podia ir ao cinema e escutar somente os sons do filme e não os toques de telefone, ou ver a claridade da maldita tela do celular de quem sentou do lado e não pára de olhar o facebook mesmo quando o Bruce Willis está derrubando um helicóptero com um carro... Enfim, quando se vivia na vida real.

E eu vivi no mundo real! Incrível dizer isso porque parece que eu sou muito velha...! Era bom ficar incomunicável. Quando eu queria conversar com alguém eu mesma ligava do orelhão usando fichas... (saudades... suspiros...).

Mas dai chegou o celular. E não era todo mundo que tinha, mas eu ganhei um. Era meu primeiro ano de faculdade, me sentia muito importante, me sentia muito chique (e me sentia muito pobre, porque as ligações eram caríssimas). Quando alguém ligava eu atendia correndo, não dava tempo de dar meio toque e lá estava eu "Alô..."

E assim o tempo foi passando... a graça foi diminuindo... a encheção de saco foi aumentando... e em um belo dia, estava eu no ônibus da Cristália Campinas-São Paulo (porque Cometão num tinha condições... quem é de Campinas ai sabe do que eu estou falando), e o sono me pegou... Dei aquela cochilada boa no meio do trânsito da marginal, já na chegada da rodoviária, e quando acordei as pessoas já estavam desembarcando. Eu peguei minhas coisas e sai correndo para conseguir chegar logo (dali umas duas horas) em casa... E quando cheguei me dei conta "Cadê meu celularrrrr????"

E eis que ele tinha desaparecido... e foi o primeiro celular que eu perdi/roubaram. Depois desse vieram muitos outros... (por isso até hoje eu tenho dó de gastar muito dinheiro em celular.. porque cedo ou tarde eu vou ficar sem ele).

E os meses que se seguiram foram bons! Sem ninguém me ligando... sem eu precisar dar muitas satisfações... sem precisar por créditos que sumiam feito mágica... E aquela foi a última época em que eu fui livre... logo me fizeram comprar outro celular, que morreu quando eu derrubei dentro da minha sopa de beterrada, depois veio outro que pivetes me roubaram quando eu estava no Guarujá, depois vieram outros que eu já nem lembro mais... e hoje eu estou aqui, com o meu Samsung Y branco e riscado, que além de me ligarem podem me mandar emails, whats apps, gtalks, mensagens... enfim... estamos online!


Wednesday, April 17, 2013

O ignobel

Eu gostaria muito de ganhar um Nobel, mas olha, ganhar um ignobel também seria legal.

O ignobel eh um premio dado pela universidade de Harvard e não pensem vocês que esse premio eh algo ruim, para pesquisas ruins. O lema eh dar prêmios para pesquisas que primeiros nos fazem rir e depois nos fazem pensar. E tem coisa melhor do que pensar depois de uma boa gargalhada? 

E tem uma coisa que eu acho muito legal, quem da o premio, quem entrega o premio, sao ganhadores do premio Nobel... Ja pensou? Uma dos ganhadores - Andre Geim - eh o felizardo de ter, além de um ignobel, um Nobel também... Ele ganhou o Nobel por seus estudos sobre o Grafeno e o ignobel por um experimento que conseguiu fazer um sapo levitar. Cientistas não são ótimos?

Grafeno
Um dos meus prêmios favoritos foi o estudo sobre malaria, que provava que mosquitos que transmitem a doença são tao atraídos por queijo quando sao pelo chule humano. HAHAHAHA

Embora o estudo soe curioso e estranho, hoje em dia em alguns lugares da Africa se usa armadinhas a base de queijo, para atrair e matar mosquitos da malaria. 

Que saber mais sobre o premio? Tem uma lista aqui.

Monday, April 15, 2013

A primeira big big big reunião e a surpresa.

Conversando com um amigo antigo, essa semana, lembrei da primeira vez que fui responsável por organizar uma big reunião de trabalho. Na verdade estava mais pra uma palestra do que para uma reunião. Fazia algum tempo que estava naquela empresa. Era estagiária (quem nunca?), formei e fui contratada. Nunca me achei o máximo, do tipo ser metida... eu só fazia bem (demais) meu trabalho. Em menos de dois meses estava gerenciando comissões a nível nacional. Nunca me toquei que era "nova" ou pudesse ser "inexperiente" demais para tal cargo. Fazia o que era preciso, nunca me intimidei com nada, muito menos com minha idade. Não tinha a menor noção!
Aquela era a primeira reunião em que viriam trocentos assessores de toda empresa. Gente que me conhecia só de nome, de telefone, de assinatura no fim de uma página. Normalmente minha palavra era a final, já que fazia parte do comitê federal. Era a doutora Electra pra cima e pra baixo fazendo acontecer. Nunca me passou pela cabeça qual a imagem que tinham de mim. Imagem nenhuma afinal, nunca me viram ao vivo. No máximo conheciam minha voz, o que não era bom sinal... já que só tratava ao telefone diretamente com filiais que estavam, digamos, em apuros.... O engraçado é que também nunca tinha visto nenhum deles, óbvio! Mas nunca me preocupei com isso, era irrelevante. Tinha interesse de conhecer pessoalmente três, que pelo trabalho se destacavam, ou seja... eram bons de serviço e ajudavam em vez de só ficar enchendo linguiça ou atrapalhando o projeto.
Organizei (tinha uma secretária, claro) desde a hospedagem, passagem de avião, coffe break, papelada, a palestra em si, e tudo o mais envolvendo o evento. Só faltei marcar reserva de restaurante para o jantar... ia fazer isso, mas aí me toquei que era demais. Jantar, cada um que se virasse. Por via das dúvidas, deixei na pasta de boas vindas uma lista de sugestões de restaurantes da cidade. Faltou pouco pra ir pessoalmente colocar "bom ar" nos banheiros. 
Na manhã do evento, tudo perfeito. O chefão estava lá recebendo todos para a palestra inicial. Os chefinhos da minha comissão rindo de orelha a orelha. Os convidados de todo brasil-il il pegando suas pastas com material da reunião devidamente "mastigadinho" por mim e recebendo seus crachás de identificação. E eu correndo fazendo sei-lá-o-quê de um lado pro outro. Por algum motivo era a única sem crachá. 
Todos se sentam. Estou na mesa principal, afinal além de tudo iria dar uma das primeiras palestra do dia.
Chefão grandão faz o discurso de boas vindas, o rame-rame de sempre e vai embora cuidar da vida. Sobram nós. Chefinho número um pega o microfone... a reunião iria começar pra valer. Daí ele pede para eu me levantar e me apresentar. Estava fora do script - o script que tinha feito tão cuidadosamente... anoto mentalmente: dar bronca no chefinho depois - mas levanto e me apresento. Para minha surpresa começa o maior auê na platéia, todos falam ao mesmo tempo, parte ri, outros fazem cara de não-tô-acreditando, alguns parecem mau-humorados, enfim... fico ali sem entender nada. Daí chefinho completa:

_ Para quem não acreditou que essa me-ni-na é a Doutrora Electra, favor pagar a aposta na hora do coffe break. 

Foi a primeira vez que me usaram para uma aposta. Espero que tenha sido a última. 

Sunday, April 14, 2013

Os spammers me acharam!!



Depois de três anos escrevendo baboseiras infinitas no Out and About, os malditos spammers me encontraram e acharam engraçado ficar fazendo comentários sem nexo e sem sentido no meu pobre e inocente bloguinho!
Ninguém merece, né?
Já não basta eu receber centenas de e mails oferecendo milagres para aumentar o meu "pau"? Acho que esse pessoal é genial. Quem não tem um desses ( pau), precisa mais do que ninguém que ele cresça, certo? 
Bom, fica aqui o meu desabafo.
A primeira vez que eu fui alvo de spammers foi um porre!!
E agora, todos os dias, tenho dezenas de recados sem nexo no meu blog.
Sejam solidárias por favor!


Saturday, April 13, 2013

Blogueira convidada - Cristiane

rt-17-rt-4.jpg


A Cristiane, de tão maluca, batizou o próprio blog de To doida na Belíndia.
 Inteligente, descolada e com muita história para contar, ela divide seu cotidiano conosco, de uma forma leve e engraçada!
Você é expatriada? Foi expatriada mas voltou ao Brasil? Tem filhos?
Tenho certeza que você pode se indentificar com ela.


A Inaiê me perguntou se eu queria escrever sobre alguma primeira vez. Na hora disse que sim e que precisa de um tempo, após isso comecei a pensar sobre qual primeira vez eu iria escrever e percebi que não é fácil assim, já que uma primeira vez que para mim foi muito importante, pode não significar nada. Passei todos os dias, desde que ela me perguntou, voltando ao passado, relembrando momentos, revivendo situações até decidir que iria falar sobre a primeira vez que eu fui aos Estados Unidos.
Ok, você irá perguntar: Mas isso é algo importante? Todo mundo viaja né? Tem sempre esta primereira vez, blá, blá, blá.
Eu entendo e explico, esta primeira vez não foi uma viagem normal. Quando fui aos Estados Unidos em Outubro de 2005, fui fazer uma visita de pesquisa de campo. Eu e marido fomos até o Estados de New Jersey para visitar algumas cidades e procurar um imóvel para alugarmos já que iriamos mudar de país e começar uma vida nova, com tudo que ela tem, cultura, comida, hábitos, clima, vida e atitudes. Marido já conhecia tendo em vista que além de ter morado lá, visitava com frequência os clientes e o braço brasileiro da empresa em que ele trabalha é lá e justamento por isso estavámos nos mudando. Ele recebeu o convite de administrar este braço da empresa.
Chegamos lá no começo do outono. Para mim já muito frio, já que no Rio estava fazendo uma média de 30 graus e lá os dias começavam com 10 positivos.
Foram dias exaustivos, de procura, de encontamento, de espanto, de choque, de excitação, de tantas coisas que nem dá para descrever aqui.
Eu achei tudo tão diferente e lindo e feio, tudo ao mesmo tempo. As árvores já estavam sem folhas e eu só conseguia ver tudo morto e marrom por toda parte. 
A comida era bem diferente, sem arroz e feijão, mas tudo bem a gente encarava.
Também era hora de tomar decisões importantes como: Morar ou não perto da comunidade brasileira? Decidimos por não, pois já que iríamos mudar de país gostaríamos de viver como um local e assumir todas as facilidade e principalmente as dificuldades que isto iria gerar, sim porque eu não falava e nem entendia patavinas de inglês e meu espanhol ia até Arriba Muchachos e não passava disso.
Era a primeira vez que eu iria viver em outro lugar sem ser o Rio de Janeiro e eu adoro ver a árvores dar frutas. O que isso sifnifica? Que eu gosto de ficar no mesmo lugar, de plantar uma árvores e esperar 4, 5 ou 6 anos para ela dar frutas, já o marido é um cigano. Viveu em tantos lugares do mundo que para ele não fazia diferença. O marido é um homem do mundo, fala várias linguas, é desprendido de lugares, enquanto eu sou bairrista de raiz.
Foi a primeira vez que fiquei longe da família e amigos que conhecia por tanto tempo, longe daquele círculo de pessoas que são seu suporte, alegrias e tristezas, mas que te fazer ser o que você é.
Também foi a primeira vez que fiquei longe do meu filho que ainda não tinha 2 anos, mas estava tranquila, já que minha mãe havia ficado com ele.
Em 5 dias conseguimos alugar uma casa em um dos subúrbios americanos, sem muro, em uma daquelas ruas lindas e perto do trabalho do marido. Compramos um enxoval básico para o marido. Sim ele já iria ficar na casa nova e eu iria voltar sozinha para começar a preparar nossa mudança de país e de vida. Super responsabilidade ein?
Agora imaginem a gente não conhecer as lojas e ter que correr atrás do básico para o marido sobreviver. Então compramos: um jogo de pratos, um jogo de talheres, um jogo de copos, 2 travesseiros, 2 jogos de lençol, um edredon e uma manta, um colchão e dois jogos de tolhas compreto, inclusive com tapetinho de banheiro. Na semna seguinte o marido comprou um computador, um aparelho de telefone, 1 tv pequena, material de limpeza e 1 mesa com 4 cadeiras e o resto ele iria esperar para quando eu chegasse.
Também seria a primeira vez que o marido iria viver sozinho assim, sem nem a estrutura de uma empregada, coisa que estávamos acostumados no Brasil.
Agora vocês imaginem, depois de 13 anos juntos e com uma vida mais do que estabelecida, iria começar tudo de novo e em um ambiente tão diferente, mas tão diferente que a gente nem imagina o quanto será diferente.
Sabe quando você fica meio anestesiado? sem conseguir compreender o que este tipo de mudança pode trazer à sua vida? 
Também seria a primeira vez que eu iria viajar sozinha de volta para o Brasil.
Ficamos uma semana em New Jersey. Perdi 5 quilos. Voltei com os lábios sangrando por causa do frio, mas cheia de novidades, presentinhos para o filho e energia para tocar o projeto para frente.
Este projeto incluia: Vender todas as nossas coisas da casa, já que seria mais barato comprar tudo novo lá do que pagar uma mudança internacional. Cancelar todas as nossas contas ou transferir para o endereço dos meus pais, endereço este que passaria ser nossa base operacional no Rio. Escolher o as coisas que iriam continuar conosco. Preparar documentação para viagem e também providenciar tudo para nosso cãozinho viajar conosco, exames, autorizações e tudo mais.
Também iríamos ficar mais um menos um mês hospedados na casa dos meus pais até o dia da viagem que seria no final de fevereiro e queríamos comemorar o níver do filho, que iria fazer 2 anos e o meu que iria fazer 36 e decidimos fazer tudo junto e transformar esta festa em um bota fora também, e vou dizer uma coisa - FOI UM SUCESSO. Comemoramos o níver e nos despedimos ao mesmo tempo. Esta festa também foi a primeira festa que fizemos.
Foi um momento emocionante e alegre ao mesmo tempo.
Este primeiro olhar para um país tão acolhedor e que hoje, depois de já ter voltado para o Brasil, posso chamar de casa também. Depois desta primeira vez nos EUA, eu passei a olhar o Brasil de uma forma diferente e em muitas casos com uma certa tristeza. Foi nos Estados Unidos que eu vivenciei muitas coisas que nunca havia esperimentado no Brasil: Ter vizinhos amigos e amigos vizinhos, viver em comunidade, ter um escola pública de excelência, viver com segurança, aprender a fazer um orçamento para casa pq os preços são estáveis, não usar remédio sem controle médico, aprender a gostar do frio e da neve principalmente, casa sem muro, não ter engarrafamento, viver com uma fauna selvagem no meu quintal (cervos, raposas, perus, chipmunks, esquilos, marmotas, coelhos, pássaros diversos e gambás), separar o lixo e ter o recolhimento feito corretamente pela prefeitura, gentileza no trânsito, gentileza nas ruas, admirar a mudança do clima, ver as flores voltando após quase 5 meses de muito frio, ah! tantas coisas e uma coisa que me chamou muito a atenção. 
Depois daquela primeira vez que que fui aos Estados Unidos eu aprendi a enxergar o verde das plantas no inverno, sim, algumas árvores perdem todas as folhas depois de um despir encantador (elas mudam do verde profundo, passando pelo vermelho e laranja fogo e chegando ao marrom profundo), mas outras como os pinheiros e arbustos ficam verdes o ano todo, são árvores e plantas que sobrevivem ao frio intenso, ou seja existe vida em todas as situações e pela primeira vez encherguei o belo dentro do que parecia morto.

Friday, April 12, 2013

Dirigindo teatro

Quando eu estava na oitava série, resolveram fazer uma feira de ciências na escola. Sabe o que é uma feira de ciências? Não? Explico. Feira de ciências é uma espécie de trabalho em grupo passado nas escolas, geralmente para todos os alunos, cuja finalidade utópica é forçar os alunos a estudar ciências. Na prática da escola pública em que estudei, feira de ciências era uma forma de os professores ficarem uma semana de folga dos alunos, que estariam muito ocupados em ficar à toa por 4 dias para apresentar alguma coisa bizarra genial na sexta-feira.

Pois bem, na 8ª série resolveram dar um tema especial à feira: ENERGIA. Isto, porque estávamos no auge da encrenca FHCeana dos apagões. E pra tudo ficar mais parecido com o zorra total, a coordenação decidiu misturar as turmas em vários grupos diferentes: dança, música, teatro... Tudo muito voltado para a pesquisa científica, como os senhores podem perceber.

Eu, que era mais aparecida que mico de circo, e que arriscava qualquer maluquice pra deixar de ser a santinha cagona da escola, entrei no grupo de teatro. Era a porta que me levaria ao Oscar!!!


Problema é que no primeiro dia de ensaios faltava uma coisinha: a peça. Ninguém tinha escrito uma peça. Ninguém tinha pensado num roteiro. Tínhamos 30 pessoas no grupo e nenhuma peça pra ensaiar.

Sabendo que eu gostava de escrever, a professora de português me incumbiu de tentar escrever alguma coisa. Estourei meus miolos para pensar em alguma coisa e...
Insinuante demais pra oitava série, né?
Foi necessário descartar a ideia de todos se apresentarem com tomadas na boca, apesar de eu achar que teria sido muito mais fácil ensaiar todos para ficarem parados e mudos.

Acabei conseguindo escrever uma peça a noite, à luz de velas, pois faltou energia. Eram 8 páginas sobre uma família maluca onde o pai tinha paranoia por economizar energia, uma das filhas só pensava em energia cósmica e coisas transcendentais (essa era eu), o filho era um projeto de cientista que causava curtos circuitos na casa com seus experimentos, a outra filha tinha anorexia e por não comer não tinha energia pra viver...

Modéstia à parte, a peça ficou engraçadíssima! Levei pra escola no outro dia e todo mundo adorou. Todo mundo menos Karolayne, que era mais aparecida que eu e não ficou feliz de ver que a minha peça tinha sido escolhida tão facilmente. Ela levou a peça pra casa e fez pequenas modificações: pequenas modificações que implicaram em uma peça de 15 folhas e no acréscimo de mais 5 filhos a esta família.

Claro que como eu era santinha cagona, eu não reclamei de ela ter cagado na minha peça. E lá fomos nós ensaiar a gigantesca peça, que já não era engraçada e nem fazia sentido nenhum. 

Foram vários dias (porque pensando bem, me lembrei que essa feira de ciências teve um tempo de preparação de mais de uma semana) ensaiando aquela droga de peça. Ninguém decorava as drogas das falas, ninguém sabia sua hora de falar, a maioria nem sabia que nome teria na peça! E eu lá, feito uma idiota, me esguelando pra tentar fazer alguém saber o que dizer na hora da peça. 

Quer saber? Ser santinha cagona é uma m$%¨&...

Foi chegando o dia da apresentação e cada vez os ensaios se pareciam menos com a peça original. JK, que fazia o papel de pai, realmente tinha ficado paranoico e a cada dia inventava alguma maluquice paterna para fazer na hora da peça, como colocar os filhos de castigo, brigar com a mãe, fugir com alguma amante... A mãe tinha resolvido mudar de nome, acabando com uma das últimas piadas que restavam da peça original, que consistia no fato de ela e uma das filhas terem o mesmo apelido "Juju" e se confundirem a todo momento.

Mas todo sacrifício um dia acaba. Nem que seja num desastre, mas acaba! De modo que finalmente chegou o dia de apresentar a bendita peça.


Senhoras e senhores, de repente meteram 30 "atores" no palco. Todos de uma vez, sem lembrar suas falas, e JK - o pai, se é que ainda se lembram - arranjou um cinto. Nunca na história dos ensaios tinha havido cinto algum! Ele também decidiu trocar todas as suas falas por "Cala a boca, menino, tá de castigo!" E colocou todos os seus 15 filhos de castigo, de joelhos no palco, e bateu de verdade em cada um de nós. A mensagem final da peça foi: "invente de fazer peças sobre energia e vai entrar no cacete".

Não sei como foi que aquela droga de peça acabou, porque perdi totalmente o controle da situação, mas jurei pra mim mesma que nunca mais dirijo/escrevo/participo de qualquer peça de teatro. 

A menos, é claro, que seja uma peça complexa e séria como "A volta do cão arrependido".





Observação pós post: Minha mãe, que era professora na escola e teve o desprazer de assistir essa grandiosidade, está lendo enquanto escrevo e se encontra vermelha de tanto rir, não do que estou escrevendo, mas da lembrança de nossas macacadas no palco...