Thursday, October 31, 2013

O resultado

Esperar é uma merda.

Dai que como eu ando na vibe dos concursos, estou em uma espera constante.

Na espera por abrir um concurso legal, espera pelo dia da prova, espera pelo dia do resultado...

E eu to na reta final do concurso do Ministério da Fazenda. E até chegar aqui foi assim:

Fiz a primeira fase, contei os pontos e puft... num alcancei a pontuação mínima. Ah, deixa pra lá, num queria ir pra Brasília mesmo... Dias depois um amigo me chama no whats app:

- Já tá preparada pra segunda fase?
- Oi?
- Você foi pra segunda fase do concurso do Minitério da Fazenda!!!
- Como assim? Eu num fiz a pontuação mínima...
- Fez sim!
- Tem certeza?
- Tenho!
- E tem segunda fase? Eu nem sabia... E você, passou também?
- Eu passei também!
- Você também não tinha passado... Você até falou que ia virar garoto de programa!
- É, eu lembro, mas a gente passou.

Resolvi parar de ser chata e fui olhar o site, porque né, só vendo pra crer.

PS* - Quando passei em primeiro lugar do concurso da companhia de águas daqui foi esse mesmo menino que me mandou mensagem me avisando... To pensando em contratá-lo pra ser meu secretário... E o bom é que ele só me dá notícias boas...

Quando cheguei lá, qual não foi a minha surpresa? Cancelaras umas questões, alteraram o resultado de umas outras e tchanam!!! Eu tava na segunda fase da bagaça!!!

Estudei o que deu e fui encarar a "marvada". Pouca gente pra fazer a prova, muita concentração e um tema que eu conhecia! Foi um momento de alegria a hora que eu abri a prova e vi que eu sabia a matéria. O problema mesmo era escrever, porque eu sou péssima pra dissertar a respeito de coisas... Qual o problema em fazer "x" nas questões? Muito melhor fazer "x"... Xuxa me entenderia...

Marquei um X, um X, um X no seu coração... pra você nunca me esquecer... (SQN)

Fiz a prova e fui pra casa, louca pra saber o resultado final que só sairia dia 28/10.

E quem tá ligado sabe que hoje já é dia 30/10! Então será que eu to aqui pra contar que eu passei? Ou será que eu tomei pau e to escrevendo quase afogada em lágrimas?

Será?
Será...?
Será.......?

Pois é.. eu num sei.. porque adiaram a bosta do resultado para dia 4/11, então até lá eu estou aqui.. arrancando os cabelos, mordendo a quina da mesa, sem dormir, comendo de desespero... se eu sobreviver até segunda eu volto pra contar o que houve...

Por enquanto eu vou fingir que to trabalhando porque ainda não tá na hora de mandar o chefe ir catar coquinho...

Wednesday, October 30, 2013

O caso da girafa

dai que esta rolando no facebook uma brincadeira em que se pergunta uma charada. Se a pessoa errar tem que trocar a foto por uma girafa por tres dias.
eu achei que fosse algo apenas no Brasil... e qual nao foi minha surpresa em ver amigos na suecia postando fotos de girafa? hahaha

ta ai um video explicando..


Monday, October 28, 2013

Senilidade precoce.

Era uma vez uma mãe que tinha o sonho de passear pelas Zoropas com suas amadas filhas.  
Um dia os astros entraram em alinhamento, tudo se encaixou e tcharam: a viagem saiu! 
(Ok, nem todas puderam ir... mas as três que foram já causaram confusão o suficiente.)  
Tudo tão chic, exitante e perfeito se as personagens principais não fossem justamente: Mama Perrier e suas filhas, Electra, Hipolyta e Callisto.
Mama Perrier é imperatriz e diva. 
Hipolyta é agente secreta , armada e destemperada.
Callisto ainda não decidiu se é bióloga ou advogada.
E Electra... bem, vocês já conhecem Electra. 


Estavam as quatro em Paris, que Mama Perrier  conhece de trás pra frente, esperando um buzum para ir até a Igreja da Madá (Santa Maria Madalena... imperdível), e nada do buzum passar... As duas mais novas resolvem entrar numa mega store da Orange (um tipo de Apple francesa?) e por lá ficam e ficam e ficam.  Eis que o buzum aponta na linha do horizonte e Mama Perrier, ligeiramente ansiosa, manda (ela é boa nisso de mandar, creiam-me) que eu chame as duas voadoras.
Corro pra dentro da loja, e do alto da minha condição de turista brasileira e portanto mal educada, grito em alto e bom som:

Fulanaaaaaaaaaaaaaaa e Siclanaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!!!
Corre que o ônibus tá vindoooooooooooooooooooooooooo!!!
Viro as costas e saio (morta de vergonha) rapidamente para que ninguém identificasse a louca que gritou na loja. A gente tenta, né? Nada das duas aparecerem. O ônibus passou. Mama Perrier bufou. Voltei pra loja, fula da vida. Escancarei as portas e bradei como nunca dantes:

Fulanaaaaaaaaaaaaaaa e Siclanaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!!!
Saiam já daí que sua mãe está chamandooooooooooooooooo!!!
Faço meia volta e desapareço. Ciente da minha participação para manutenção da fama (justa) de que todo turista brasileiro é um grosso sem limite, uma porteira de fazenda, tudo gente estúpida. 
Passa um tempo, as duas saem... rindo.
O tempo quase fecha. Mama Perrier furiosa, eu idem. 
E elas caindo na gargalhada, já quase perdendo o fôlego.
E eu pergunto - P. U. T. A. - qual a graça afinal? Elas não tinham me ouvido chamar? Duas vezes?!?

Sim. Ouviram. Eu gritando o nome das minhas filhas. Que lógico, não estavam ali, e sim do outro lado do Atlântico. 
Senilidade precoce. Só pode.


Saturday, October 26, 2013

A primeira emboscada



Só pra situar todo mundo: Minha avó paterna era crente. Meu pai é Kardecista. Minha mãe atéia. Tive duas avós maternas. Uma católica e uma espírita ( foi Kardecista e Umbandista, em diferentes épocas).
Sou casada com uma pessoa que não tem religião alguma - como alguém pode esperar que eu me posicione?
Pois não tenho eira nem beira religiosa. tenhos amigos de todas as crenças, respeito as religiões que conheço e detesto que tentem me converter, mas adoro fazer perguntas sobre religião - só para entender melhor.
Já morei no Oriente Médio onde a população é majoritariamente Muçulmana e hoje moro num bairro onde os vizinhos são em sua maioria, Mormons.
Essa semana fui a um churrasco organizado por uma vizinha. Todos os anos ela reúne todo mundo e aprensenta os recem chegados, bate papo com velhos amigos, todo mundo se diverte.
Fabio teve que trabalhar até bem tarde - eu e as meninas fomos á festa.
Me apaixonei pela anfitriã.
Engraçada, super atenciosa e até morou no Brasil na época do colegial. Ela ainda arranha um portugues.
A noite foi engraçada, nós nos demos super bem.
Saí de lá com dois convites:
Uma festa só de mulheres e um cineminha com a familia toda num outro dia.
Aceitei os dois e fui alegre e saltitante atrás dela quando ela veio me buscar, no dia marcado.
Fomos andando pela vizinhança, passamos pelo parque e seguimos rua afora. Quando chegamos em frente á igreja, ela tirou uma chave do bolso e abriu a porta. oi? oi?
Ela tem a chave da igreja? E nós estamos entrando? Como assim?
Assim que a festa era na Igreja Mormon, atras da minha casa.
Gelei.
Devo ter falado muitas bobagens e sido extremamente inadequada. Só me lembro de dizer para ela que eu era muçulmana ( oi?? oi???), o resto da pataquada eu já nem me lembro mais.
Como Deus e o Buda estão ao meu lado, a festa era estritamente social. Jogamos um bingo divertido, fizemos algumas brincadeiras, todo mundo foi extremamente simpatico e solidário comigo...e todas nós sobrevivemos.
Confesso que cheguei a me divertir. talvez eu até volte, se depois das minhas malcriações eu for convidada para a próxima...


Mas antes que a coisa ficasse preta, achei melhor perguntar qual era o filme do programa do dia seguinte, onde era para eu levar a familia toda.
Em tempo descobri que era sobre dois missionários Mormons que foram para a Russia e foram sequestrados por lá. Até me interessei ( olha o periiiigoooo), mas eu sabia que nem as meninas nem o fabio iam curtir o programa. Cogitei ir sozinha, mas mais uma vez a providencia divina interferiu, deu um pepino na lojinha e eu trabalhei até bem tarde, ajudando o marido, como uma boa, religiosa e dedicada esposa.


Sherazade escreve aos domingos e o seu blog diarinho está nesse endereço.

Friday, October 25, 2013

Não está sendo "fácel"

Sabem, eu odiava faculdade, mas sinto saudades daqueles tempos. Não das aulas, professores, acordar cedo, pegar ônibus, aguentar colegas chatos, enfrentar fila na biblioteca, na cantina, na informática, no caixa eletrônico. Não de ser estagiária e só pegar coisas zoadas pra fazer. Nada disso.

Sinto falta de como eram fáceis meus trabalhos naquele tempo.

Naquele tempo, eu fazia qualquer petição em três, quatro páginas e depois tirava nota boa!

Há duas semanas estou aqui me fulascando (ph.. + lascar) com um mandado de segurança para garantir o direito de uma moça adventista não frequentar as aulas de sexta a noite, já que a religião dela não permite. Terminei nesse momento: 27 lindas páginas de puro sofrimento. 

Eu me pergunto todos os dias por que não faço como 95% dos advogados e continuo fazendo petições de 3 páginas como na faculdade, já que, no fim das contas, o juiz só vai ler o pedido e decidir conforme a vontade dele, não importando o que eu disser.

Mas... dizem que virginianas são perfeccionistas (apesar de eu não acreditar em signos) e eu nasci em setembro.. então só me resta conviver com minha maneira maravilhosa de destruir minha vida pessoal só pensando em trabalho...

Esse post ficou muito, muito mixuruca. Mas gastei todas as minhas palavras no meu primeiro mandado de segurança, estou sem forças... 

Thursday, October 24, 2013

A véia da obra



Na obra que eu trabalho tem uma véia. E ela fica na sala dos estagiários, que é onde eu fico também.

Essa véia fica tomando conta do ponto dos funcionários e acha que é dona da obra. E acha que é mocinha... (agora imaginem as roupas de uma adolescente de 15 anos em uma véia de quase 60).

Quando eu cheguei ela veio toda gente boa, conversando, depois começou a mostrar as garras.

Comprou café, filtro de café, leite em pó, bolacha, manteiga, bala.. e me botou na cotinha pra pagar. Eu num tomo café, odeio leite em pó, chupar bala me dá dor de estômago, mal como bolacha e nem fui consultada se queria participar da cotinha, mas tudo bem... num ia implicar por causa de sete reais.

Veio a segunda cotinha, paguei de novo! Dai a véia começou a esconder as balas no armário dela, a chave! Falando que os estagiários estavam acabando com tudo. Ai eu fiquei brava! Eu, que nem como nada, num tava implicando com a quantidade de café que ela toma, porque ela estava implicando com os meninos?

É, eu defendo os estagiários porque eles, apesar de serem estagiários (hehehe), são gente boa.

Num pago mais! Pronto. Na terceira vez que a véia cogitou de fazer compra eu já felei "pode me tirar desse negócio porque eu num vou pagar não! Num tomo café, num tomo leite... mal como bolacha. Num vou pagar não!".

A véia ficou com cara de bunda e não falou nada.

Num outro dia, enquanto eu conversava com os estagiários, ela ficou falando pra todo mundo que a sala estava uma bagunça e que quando o engenheiro da obra não está fica assim, a maior algazarra. Fiquei puta da vida de novo. Parei de conversar e fiquei na minha. Duas horas depois ela queria que o estagiário saísse da obra no horário de trabalho dele, para aproveitar que o engenheiro da obra não estava (palavras dela), pra ir até a casa dela medir os cômodos porque ela quer que EUUUU faça um projetinho de reforma pra ela.

Eu virei pro estagiário e falei "você vai, só que antes você vai fazer o serviço que eu te pedi para fazer!". Que história é essa? Um momento antes eu e os estagiários estávamos fazendo algazarra e agora ela quer aproveitar a ausência do engenheiro pra tirar um funcionário pra fazer coisas particulares pra ela??? Não mesmo!!! Agora eu peguei birra!

E hoje cedo, pra fechar com chave de ouro, eu cheguei e coloquei minha Ana Carolina pra tocar no note (É, alto mesmo. Porque a véia chega todos os dias e liga na antena 1 - nada contra, eu adoro antena 1, só que ela é muito folgada por obrigar as pessoas a escutar o que ela quer) e queria ver qual seria a reação dela. O que ela fez? Chegou, não deu nem bom dia, e ligou a Antena 1 dela, como se eu não estivesse escutando nada!!!

Eu aumentei o meu volume e agora estamos aqui, eu, a véia e os dois estagiários, escutando Antena 1 e Ana Carolina, tudo junto e misturado, tudo ao mesmo tempo.

Agora minha meta é quebrar as caixinhas de som do computador dela. Alguém tem alguma sugestão de como eu posso fazer isso sem deixar rastros? Sério mesmo! Eu preciso de ideias!

Bom dia pra você que não tem uma "véia da obra" no seu trabalho!

Wednesday, October 23, 2013

Primeira mudanca de sexo...

... Ou quase!

Eu lembrei dessa historia ontem a noite...

Eu tenho um amigo - verdade, viu gente? não eh daquelas historias que se fala do "amigo" querendo falar de nos mesmos... - que namorava uma outra amiga minha. Eles ate ja moravam juntos ha anos, era coisa linda de ver. 

Dai por motivos da vida ele teve que se mudar pra outro continente, pra trabalhar... E eles juraram amor eterno, juraram manter a relação, juraram coisa demais... 

Ela cansou, ele cansou... So que os dois mantiveram o namoro, porque segundo os dois, nao era por falta de amor... So que ele, o meu amigo, se apaixonou por outra menina... Se apaixonou de um jeito que ele ficou irreconhecível... Parou de falar comigo, dava desculpas quando eu o chamava no skype pra conversar. Ate a namorada dele (a verdadeira) tentou descobrir o que estava acontecendo... Ela me escreveu dizendo: "se voce não sabe o que eh, então eh algo muito serio".... Perturbador isso, ja que a namorada dele era ELA, nao eu... Mas enfim...

Passados alguns meses ele veio conversar comigo no skype... Contou da paixão (que ate então eu nao sabia, mas tinha imaginado ser o motivo do sumiço). Contou que ele tinha enlouquecido... E que tinha quase virado mulher..

Pausa pra Ira engasgando com ar... Pausa pra Ira tentando de desculpar e soltando alguma explicação ridícula pro engasgo... Pausa pra Ira fazendo cara de espanto colossal e se esquecendo que pelo Skype tem câmera...

Então, veio a historia... Meu amigo tinha enlouquecido pela menina... que a principio correspondeu... So que depois de um tempo ela resolveu confessar, so tinha prazer com mulheres... Que ele era um fofo, que ela o amava como amigo (doi ate em mim de pensar, tadinho), mas que ela gostava mesmo de mulher...

E o que ele resolveu fazer? VIRAR mulher... VIRAR UMA MULHER por amor... 

Ele tinha vontade de ser mulher? Nao...
Ele tinha trejeitos femininos? Nunca vi...
Ele tinha problemas mentais? Olha, provavelmente...

Antes de eu começar a tentar convencê-lo de não cortar o "piru" fora por causa de uma perua ele ja foi avisando que não ia fazer isso. Mas que tinha sumido porque ficou muito tempo alimentando a ideia.

Disse também que a própria menina tinha dito que isso não ia mudar em nada, porque ele ia continuar sendo XY, mesmo sem "piru"...

Confesso que se ele tivesse ido em frente com isso eu teria feito alguma coisa... Tipo, enchido a garota de porrada? Amarrado ele numa cama ate passar a vontade de mudar de sexo?

Felizmente essa fase toda passou... Ele mudou de pais de novo... O namoro com a minha amiga terminou de vez e agora ele esta super feliz se relacionando com varias meninas ao mesmo tempo... Suspiros... Precisava exagerar? Deve ser pra compensar o tempo que ele ficou com a garota que so gostava de mulher, vai saber...

Maneira mais bizarra de declarar amor por alguém... Ta louco... 

Sunday, October 20, 2013

Das vezes que errei (e não foram poucas)

Listinha de alguns primeiros erros inesquecíveis...

1. Achei que se era amiga de alguém, esse alguém era automaticamente meu amigo.
Resultado? Ferro level 1001 utilidades.
2. Achei que se ficasse na minha não incomodaria ninguém.
Resultado? Ficar na sua pode incomodar muuuuuuuuuuuuuuuuita gente!
3. Achei que calça bag (é assim que escreve?) era o must have.
Resultado? Ainda bem que nos anos 80 não tinha instagram...
4. Achei que poderia viver sem coca-cola por um ano.
Resultado? Consegui. E aprendi a nunca mais na vida fiz uma promessa estúpida dessas.
5. Achei que um ex poderia ser amigo-irmão-camarada...
Resultado? Convidei o dito para ser padrinho de casamento - Idiotice level master.
6. Achei que nunca jamais em tempo algum engordaria.
Resultado? O fato de ter sido uma vira tripa por 30 anos não significa que continuará sendo assim pelos próximos 30 anos...
7. Achei que todo amor teria um final feliz.
Resultado? Não é à toa que o "foram felizes para sempre" terminam no altar... na vida real amar não é fácil, ou simples, ou lindyo 24 horas por dia, 7 dias por semana.
8. Achei que nunca gostaria-precisaria-usaria isso de computador, internet, etc...
Resultado? Como futuróloga sou uma grande bosta ambulante!
9. Achei que ficaria bem de "loira".
Resultado? Crise existencial hard  diante do espelho. Aguentei 3 dias antes ir correndo e chorando pro salão e mandar voltar pra minha cor original.
10. Achei que saberia como reagir com classe e dignidade diante de situações extremas.
Resultado? Descobri que não estou preparada para tudooooooo e que descer do salto e dar uma de doida funciona muito bem - às vezes.


....


11. Achei que não seria preciso "cobrir" buracos de loucas voadoras...
Resultado? Estou aqui soltando meu post de toda segunda num domingo porque tem uma turminha dormindo no ponto desde sexta feira!!!

Thursday, October 17, 2013

A Primeira Caixa DaZarabia

(Ufa! Dessa vez eu consegui programar o post pra sair na hora certa!!!)

Era uma vez uma Miss Bellum, que andava perdida pela net, até que achou um grupo de loucas falando bobagens no facebook e que inventaram de trocar presentes de final de ano.

No começo eu achei aquilo muito estranho porque eu não conhecia aquelas pessoas. A gente tinha conversado algumas poucas vezes (se bem que quase todas as vezes as conversas duraram horas e entraram madrugada a dentro), cada uma num canto do mundo, gente muito diferente de mim (e vendo hoje percebo que eram tão iguais: Loucas).

Dai que um dia eu recebi o primeiro presente: uma caixinha DaZarábia. Sherazade foi quem mandou.

Eu fiquei muito curiosa, porque eu não sou uma boa conhecedora da região DaZarábia, só vejo a galera se explodindo pela TV e acho tudo uma loucura (olha a pessoa sem conhecimento e sem cultura falando, mas é verdade, eu sou assim: péssima).

Será que é uma bomba???

E quando abri a caixa eu parecia pinto no lixo, fucei tudinho! Afinal era TUDO MEUUUU!!!!

Olha aquele casalzinho que coisa mais fofa!!!

Tinha um batom caneta, um angry bird, um pacote com tâmaras escrito em Zarabiês, incensos, pulseiras (que outro dia eu usei e mandei uma foto para a Sherazade, dai ela disse "que pulseira linda!", e eu respondi "foi você que me deu", e ela "ainda bem que eu não falei: Nossa que pulseira horrível". Que bom né, Sherazade!!!), uma bolsinha pra celular, barrinhas de incenso, um casalzinho árabe saleiro (que eu nunca vou usar porque não quero que ninguém quebre! Vai ficar de enfeite na minha estante para sempre), um pano que a galera de lá usa na cabeça (que eu esqueci o nome, e gente, num procurei no google porque eu to no meio do expediente e num dá tempo, né!) e UM FERREIRO ROCHÊ!

Sr. Prefeito - que entrou no clima!

Esse ferreiro rochê deu trabalho. Quando a Rainha de Copas recebeu o dela, queria comer de qualquer jeito. Foi um sacrifício pra fazer ela entender que isso era um incenso...

Sherazade, eu adorei a caixinha!!! O post demorou mas saiuuuu!!!

E essa foi a minha primeira caixinha vinda DaZarábia (e provavelmente a última, já que eu não conheço mais ninguém que mora por lá... e se vier uma caixinha dessa com remetente desconhecido eu juro que não abro, porque ai sim, vai ser uma bomba!).

Wednesday, October 16, 2013

Sou so eu?

Assistam essa companha elfa..

Serei so eu que achei isso muito preconceituoso?


Monday, October 14, 2013

Me dá um dinheiro aí?

Dúvida cruel: mato e esfolo CB ou só faço as unhas?

Daí que Electra tem que ir ali buscar a filha de tpm no ingrêis, arrumar a casa & fazer almoço pq a governanta (kkkkkkkkkkkkkk) foi no dentista e só D'uz pra saber que dia volta, levar visita querida amada idolatrada salve salve pra passear e inventar um modo de fazer dinheiro brotar do chão enquanto não mata o Coelho Branco que resolveu ter crise precoce de ninho vazio e anda surtando. O que significa que, fora o fato de estar fu e mal paga, tá tudo be happy. E, para infelicidade geral da nação, não voltei a ter sonhos doidos... que inspiram posts malucos pra todos terem certeza de que moro mesmo fora da casinha. É a vida, é bonita, é bonita, quase sempre.
ILMUNC?!? O que é ILMUNC? 

Alguém por aí sabe como onde ou com quem arrumo patrocínio para mandar 14 mini nerds sem grana pra ILMUNC em janeiro de 2014? Não sabe o que é ILMunc? Nunca ouviu falar? Sem problemas... também não sabia o que era isso até uma filhota nerd se envolver na parada. E passar um ano inteiro se preparando e lutando por uma vaga. Porque apesar de serem os únicos brasileiros no evento (estilo chegar no final da copa do mundo de futebol, só que em vez de futebol... são simulações da onu para secundaristas), a galera não tem como bancar os custos da viagem - tipo 3.500 doletas por cabeça. E, sim, já fui atrás do Ministério da Educação... e eles praticamente kagharam na minha cabeça quando disse que as crianças eram todas estudantes de Colégio Militar. 
Então... se tiverem sobrando (dinheiro ou ideia pra conseguir dinheiro): me dá uma ajuda aí?


That's all folks.

Sunday, October 13, 2013

a primeira compra


Fui com uma amiga comprar soutien aqui nos Estados Unidos, e tal amiga usa nada menos que o tamanho DD.
Pra quem nao sabe o que isso significa, imagina um peitão...agora dobra o tamanho. Isso é um DD.
Experimenta um, experimenta outro, até que finalmente ela encontrou um que servisse.
Do nada, vem a vendedora e diz:
- Olha, eu tenho esses enchimentos aqui, caso você queira deixa-los um pouco maiores...



Friday, October 11, 2013

Post rápido pq eu tenho que trabalhar :(

MAS É SOBRE CIÊNCIA E EU ESTOU SIMPLESMENTE MARAVILHADA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! :D

Meu pai é um tipo de cientista maluco que não mexe com ciência; um espécime fruto da fusão entre visionário e maluco. É claro que ele é assim, senão eu não seria como sou e, logo, jamais seria convidada para participar de um blog cujo nome é "A gaiola das loucas". 

Pois bem. Dia desses, ele estava falando acerca da necessidade de se implantar um novo sistema de transporte público, que acabaria com os engarrafamentos. Segundo ele, o governo deveria investir em uma espécie de zepellin para transportar as pessoas de uma cidade para a outra, em vez dos nossos tradicionais ônibus.

Olha eu dando tchauzinho pela janela!!
No começo, eu achei a ideia meio maluca, mas depois, pensando bem, achei que fazia um certo sentido: transportar mais pessoas, mais rápido, sem ocupar o trânsito, sem prendê-las em razão de engarrafamentos.

Daí hoje eu vi essa notícia no facebook e achei a coisa mais genial do universo:


Fiquei muito muito muito muito muito maravilhada. Nem tenho palavras! Cientistas me emocionam. É sério!

Thursday, October 10, 2013

Sobre roubar doces em festa


É, eu não consegui deixar o post programado ontem, por isso ele está saindo algumas horas atrasado. Mas está aqui... a relatividade tem afetado as loucas dessa gaiola...

Ontem teve entrega de um prédio da construtora onde trabalho. E pra fazer essa entrega para os moradores acontece um coquetel. E mesmo sendo quarta feira, e mesmo sendo chato, e mesmo sendo obrigado, a gente vai de boa vontade.

Dai que enquanto estava tendo a reunião de condomínio, várias pessoas rodeavam as mesas de doces (que estavam muito bonitas) como urubus em volta da iminente comida.

A reunião acabou, os condôminos, felizes com seu mais novo síndico, começaram a se deleitar com as iguarias servidas e eu fiquei ali, só observando os movimentos.


E uma pessoa em particular mereceu minha atenção. Quando o garçom com a água de coco passava, a criatura quase tomava a bandeja da mão do cara. Quando passavam os pratinhos cheios de camarão a pessoa fazia cara feia e falava "num gosto de camarão" (mais pobre, impossível!). Quando chegou a vez dos salgadinhos ela pegava com os dedos, sem ao menos usar um guardanapo. E pra fechar a noite, antes de ir embora ela, descaradamente, ENCHEU A BOLSA DE DOCINHOS!!!


Era esse tipo de salgado de camarão...

Era esse tipo de docinho...


Era esse tipo de bolsa...

E essa foi essa a meliante!

(Os objetos reais não puderam ser fotografados porque eu sai correndo de casa e não deu tempo... mas os docinhos estavam Ó-TE-MOSSS!!!)

Wednesday, October 9, 2013

Onde estou? Quem sou eu?

Hoje e quarta feira? Pelamordedos! Eu achei que ainda era terca! Cade o tempo? Onde foi parar Setembro que eu nem vi? Quem mandou 2013 ja resolver terminar? Quem disse que podia? 

Achei que meu dia de postar era amanha, porque eu jurava que hoje ainda era terca feira, em Setembro...

Relatividade esta me sacaneando... Enquanto todo mundo esta no tempo normal, eu estou numa velocidade muito louca, muito menor do que todo o resto da humanidade, de modos que o meu tempo voa... e o de voces, nao.

Hunfs...

 

Monday, October 7, 2013

Electra entrevista EVA.

Essa noite eu tive um sonho*
de sonhador Maluco que sou, eu sonhei
Com o dia em que a Terra parou
com o dia em que a Terra parou

Foi assim:

Electra entrevista Eva.




El: Imagino que não seja necessário apresentar nossa convidada do dia: Eva, primeira e única. Seja bem vinda! 
Ev: Obrigada, é um prazer poder estar aqui com vocês. Faz tempo que não tenho uma oportunidade como essa. Tem horas que me sinto mais por baixo que um ex-BBB. 
El: Eva, você assiste BBB?
Ev: Para você ver... decaí a esse nível. Foi uma fase terrível, mas já superei. Passou, passou! 
El: Preciso dizer que fiquei chocada com a informação.
Ev: Mais chocada do que com a minha presença?


El: Bem, sobre isso... convenhamos que é meio estranho, para dizer pouco. Não era para senhora estar morta faz alguns milênios? Sem querer ofender...
Ev: Nem tudo é o que parece. E, sim, estou viva. Entenda, sweet, que certas pessoas nunca morrem... sou uma dessas poucas desafortunadas. Um arquétipo feminino primário, algo além da compreensão mundana.
El: Tipo um vampiro?
Ev: Tadinha, você não sabe da nada mesmo, não é? 
El: Pelo visto: NÃO!
Ev: Mas esse não é o motivo da entrevista, quando te contactei queria esclarecer outras coisas... de cunho mais familiar. Lavar a roupa suja, sabe? Colocar os pingos nos is.
El: Fique à vontade. 
Ev: Pois bem, antes de tudo você precisa entender o contexto em que fui criada.  Sem mãe, sem um modelo feminino... e com um pai hiper protetor com um poderes só comparáveis ao seu próprio ego. Se tinha um cara que se achava um deus era ele!  Fiz anos de tratamento com Freud, com Jung e ainda assim até hoje não lembro da minha infância... é um verdadeiro buraco negro na minha vida. E, você sabe a importância dos primeiros anos de vida na formação de uma pessoa, não é? Naquele tempo não tinha isso de psicologia... 
El: Deixa ver se entendi direito. Um pai onipotente e onipresente... que se achava um deus. Pensei que ele ERA Deus!
O "papai" nos anos 80.

Ev: Pois é, para a grande maioria talvez seja. Mas pra mim, era só meu pai, minha única família conhecida até então. Meu alfa e meu zeta. Tudo no mundo era ele, e eu... sua queridinha. A filhinha do papai, que por acaso, era só o dono do universo. Olha aqui, ó... tenho uma fotinho 3X4 dele. Foi a última que tirou, nos anos 80.
El: Não é difícil ser a queridinha sendo filha única. 
Ev: A questão é essa... eu não era filha única! Não bastasse ter escondido, impedido e negado meu acesso à minha mãe, motivo de uma das nossas brigas até hoje, diga-se de passagem. Ele ainda escondeu durante anos o fato de eu ter uma irmã mais velha. Sem falar daquele casamento forçado com o Adão e tudo que aconteceu depois. Um desastre anunciado, diga-se de passagem. Mas ele escuta alguém? Escuta? Não... o sabe tudo não pede a opinião de ninguém!!! Eu era uma criança, mal saída das fraldas! Totalmente inocente, só queria agradar o papai. E, quando dou por mim estou casada com aquele pateta com cara de príncipe encantado, atlético, pelado pelado, nú com a mão no bolso... Você não faz ideia de como ele lindoooooooo, um pão. Só fez merda, claro... mas era gostoso, não posso negar. A gente não se vê faz tempo, mas ele sempre manda flores e liga no meu aniversário.

Adão... quando ele ainda era Adam - roupas foram adicionadas pq isso é um blog família.

El: Realmente... só Freud!
Ev: Querida, nem ele... nem ele! Garanto que tentei. Mas tinha o problema da mãe e por isso a terapia não foi pra frente. Acabei mudando de psicólogo.
El: Vamos por partes, como diria Jack... Que tal começar pela sua mãe e sua irmã. Elas não estão nos registros. 
Ev: Pois é, foi um divórcio complicado. Traumatizou muito o papai, hoje entendo - um pouco - os motivos dele. Mas precisei de anos e anos de terapia. Como disse Jung (um fofo!), ele (papai) assumiu para si o arquétipo de Zeus. Só que um Zeus sem esposa. Acredita que até hoje não consegui que ele me desse o endereço da minha mãe? Você precisa ver o barraco que rola toda vez que toco no assunto.... o mundo vem a baixo. Até hoje sinto culpa pela última grande enchente.
El: As enchentes do Rio são mesmo culpa do seu pai?

kit básico antes de ter uma DR com o papai
Ev: Não, claro que não.... são culpa das porcarias dos políticos que vocês elegem. Não misture as coisas! Tenho meus problemas com papai, mas acho o fim todo mundo ficar colocando a culpa nele por tudo de ruim que acontece no planeta... um saco! Como se esse fosse o único empreendimento dele. Sabe  por quantos mundos papai é responsável? Até eu já perdi as contas!!! Quando me refiro a enchente... você precisa pensar historicamente, biblicamente, é sobre o último dilúvio. Nóe e cia... já ouviu falar?
El: Sim, claro! O que Noé tem a ver com as suas brigas com seu pai?
Ev: Continuando... Estava lá, tentando fazer ele falar sobre a mamãe. Ele sabe ser turrão quando quer. Precisa só ver que gênio ruim! Falou que não tocava nesse asssunto, que tinha jurado nunca mais sequer pronunciar o nome "daquela vadia ingrata" e que eu era muito mal agradecida pois, depois de tudo que ele fez por mim... ficava ali perturbando ele. Tenho que dizer, como ele é bom de discurso... poderia se político se quisesse. Convence qualquer um de qualquer coisa. É praticamente impossível argumentar contra. 
El: Então...
Noé. Sabia que ele tem a foto com o título de trabalhador do ano até hoje?

Ev: Mas naquele tempo tinha enfiado na cabeça que ele me devia uma explicação e não arredei pé. Sabe o que o louco fez? Surtou!!! Resolveu recriar o mundo, recomeçar tudo de novo... disse que minha raça estava degenerada, que apesar de todos os esforços dele... o sangue ruim da mamãe ainda andava na terra e que era preciso expurgar ele. Acho esse pobre do Noé, um bom rapaz, muito trabalhador tenho que dizer, fez o melhor que podia. E papai zureta com aquele projeto doido de arca, recolher animais, enfim... acho que você já conhece a história.
El: É, já ouvi falar... tipo, na catequese!
Ev: Papai tem desses rompantes, essa mania de passar a borracha e querer recomeçar tudo do zero quando as coisas começam a fugir do seu controle. Ele tem esse problema de querer controlar tudo e todos. Deve ter sido por causa disso que mamãe fez as malas e se foi... 
El: Já a encontrou?
Ev: Infelizmente não... Mas achei minha irmã. Você precisa conhecer ela, uma figura! Claro que no início foi um choque, começamos com o pé esquerdo. Com os dois pés esquerdos! Tudo culpa daquele trouxa do meu ex marido. Mas agora estamos super bem. Amigas de verdade!
El: Sem querer ser chata, mas... poderia explicar isso melhor?
Ev: Bem, antes do meu nascimento, quando papai e mamãe ainda viviam juntos (ele nega o divórcio até hoje, diz que o casamento é sagrado  - enfim... ainda não engoliu o fato de ter sido abandonado, kkkk) tiveram minha irmã mais velha... Lilith. Lindo nome não? Ela contou que foi nossa mãe que escolheu. Mamãe praticamente a criou sozinha, papai estava todo atarefado naqueles dias criando um novo mundo. Ele é perfeccionista, trabalha sem parar quando está envolvido num projeto...  Ela também não sabe exatamente o que aconteceu, era tudo muito nebuloso, só lembra que um dia ela - a mamãe - a pegou e foi embora. Um verdadeiro escândalo. Imagina o caos...
El: Imagino!
Ev: Eu criada sem mãe e ela sem pai. E isso é só o começo do babado. Tinha que dar merda. E deu!
El: Tem mais?
Ev: Tem o Adão. Ou Adam, como o prepotente prefere. Bem, logo que dei por mim já estava casada com ele. Uma menina, só tinha 13 anos! Era assim antigamente.... bastava menstruar e bimba!, tá na hora de casar. Não sabia nada da vida. E, para ser sincera, nem ele. Até hoje não posso ver aquele filminho, o da praia... como é o nome... ah, Lagoa Azul... tem muito a ver, sabia? Com a diferença que eu era-sou muito mais bonita que aquela atriz, a Brooke-alguma-coisa.


El: Isso não dá para negar, sua beleza é espantosa. Parece que os anos não passaram para você. Não quero se indelicada, mas... qual sua idade mesmo?
Ev: Que falta de respeito! Sabia que não se pergunta a idade para uma dama?!?!!!
El? Desculpa, não queria ofender. Entenda que sua idade real é de suma importância... existem brigas  homéricas envolvendo cientistas, evolucionistas e criacionistas sobre o tema. Se pudesse esclarecer esse pequeno detalhe, acho que ajudaria muito...
Ev: Assunto encerrado, da minha idade não falo. Se insistir acabou a entrevista!
El: Ok, nada de idade. Continue...
The party!

Ev: Onde estava? Ah, sim... no paraíso, com o meu Adam. Naquele tempo eu o chamava assim. Toda apaixonada...  Menina, você precisava ter visto a festa no céu que papai deu. Um arraso! Nunca houve casamento como o meu com o Adam. Todos foram convidados, um espetáculo. Foi A festa: The party! Dias e noites de glória! Sabe  que fico meio chateada com os cronistas e colunistas... não saiu nem uma notinha.  E o pouco que saiu foi totalmente deturpado. Eu não vim da costela dele coisa nenhuma... nós servimos costela isso sim. Foi só um dos muitos pratos divinos do jantar. O pessoal mistura tudo, troca tudo. Um disse-me-disse. E, sei lá como... me vi reduzida a uma costela remodelada! Pensa bem se isso faz sentido? Não perdoo papai até hoje por ter deixado isso passar assim na imprensa oficial. 
El: Imprensa oficial?
Ev: É, oficial entre aspas, né. Porque aquilo está mais pra imprensa marrom. Faz tempo que desisti de discutir com aqueles jornalistas chapa branca do papai... tomei nojo da bíblia. Fizeram a minha caveira, virei a culpada de tudo e por tudo. Até hoje meu nome está sujo. E porquê? Me diz, porquê?!?


El: Olha, até onde sei é algo haver com uma maça proibida e uma certa cobra.
Ev: Calúnias! A culpa caiu toda no meu colo. Olha, foram anos e anos até eu fazer as pazes e perdoar papai... Foi preciso muita terapia, sabia? Deixa eu contar...
El: Conte.
Ev: No princípio - ui, estou me sentindo o papai falando agora... Ele adora isso de começar as frases com "No principio...", kkkkkkkkkkk. Anos e anos de meditação, estudos filosóficos e terapia pra terminar parafraseando o velho. A vida é engraçada, kkkkkkkkkkkkkk. Tem um lencinho aí, quando começo a rir... não paro, kkkkkkkkkkkkkkk. Só um minuto que já me recomponho. Faz tempo que não choro de tanto rir... kkkkkkkkkkkkkkkk. Ai, respira, Eva, respira!

(intervalo enquanto nossa convidada recupera o fôlego, ela é uma graça... chora de rir)


Minutos depois nossa convidada recuperou o fôlego, repassou o batom e atendeu duas chamadas no seu iphone. Algo sobre o Natal desse ano... pelo que pude escutar #seiqueéfeio.

El: Podemos continuar?
Ev: Claroooooooooooooo! Onde estava? Ah, sim, no começo da minha vida a dois como o Adam. Um verdadeiro paraíso. Aquela coisa de contos de fadas mesmo. Tenho que confessar que ele era um príncipe comigo, todo carinhoso, um gentleman... Só que aquela vidinha idílica estava começando a me dar nos nervos. Queria fazer alguma coisa. Não sabia exatamente o quê, mas sabe quando você sabe que está faltando algo? Era um espaço que precisava ser preenchido. Papai disse que assim que tivesse filhos e formasse minha família isso tudo passaria. Aliás, ele estava obsessivo com a ideia de ter netos. Não falava em outra coisa. Imagina a pressão! Foi quando o Adam começou a ficar estranho... 
El: Estranho como?
Ev: Ah, aquelas coisas... Tenso, nervoso, dizia que estava estressado com o trabalho (era tudo com ele!, dizia), que estava cansado. Que isso e aquilo. Desculpas esfarrapadas, hoje eu sei. Mas na época, toda pura nem sonhava com o que realmente se passava. Quer dizer... éramos só nós dois. Não passava pela minha cabeça ser traída. Quer dizer, tecnicamente era impossível ser corneada. A boba!
El: Adão te traiu?
Ev: Nem te conto, meu bem. Meu mundo caiu! Todo mundo põe a culpa na dona cobra, mas... sendo sincera... ela foi a única digna, a única que me alertou e abriu meus olhos para a realidade! Agradeço até hoje, essa sim era minha amiga. O resto... bem, deixa pra lá, bando de puxa saco, só queriam ficar bem na foto com o papai. Um belo dia, estava assando uma torta de maçãs quando ela apareceu lá em casa e resolveu me contar a verdade. The realfucklife. Foi um choque! 
El: Torta de maçã?!?
Ev: Sim, as minhas são famosas em todo o universo, o Gabe (Gabriel. Já ouvi falar nele? um verdadeiro anjo de pessoa, não sei como aguenta trabalhar com o papai...) despenca de onde estiver quando sente o cheiro. Sem me gabar... não existe igual. Mas isso não interessa. Voltando àquela tarde. Dona cobra, sabendo de tudo que se passava, não aguentava mais me ver sendo feita de tonta e resolveu dar um toque. Olha, custei a entender (Tadinha dela, ainda saiu mal afamada depois de ter me ajudado). E depois, custei a acreditar. Havia uma outra, uma antiga namorada do Adão - o desgraçado - e eles estavam se encontrando. 
El: Que coisa
Ev: Queridinha... nada muda. Nadinha. Alertada, mas ainda sem acreditar resolvi ver-pra-crer. Foi aí que dois dias depois, seguindo ele pelo jardim, dou de cara com ela. Foi um barata voa! Outra mulher na parada? Que é isso? Não tinha nada disso no script. E o meu foram felizes para sempre?!? O tempo fechou, rodei a baiana e começou o maior furdunço da história da humanidade. Literalmente a Terra parou.

Nãoooooooooooooooooooooooooooooooo!

El: Mas quem era ela?
Ev: Quem mais podia ser? Minha irmã, Lilith!
El: Não acredito, choquei (de novo).
Ev: E eu? E eu? Choque foi pouco. Meu mundo inteiro caiu. Não bastava estar sendo traída pelo meu marido, estava sendo traída pela minha própria irmã e também pelo meu pai. Porque não adiante ele dizer que não sabia... por que sabia! Afinal de contas, ele é ou não o senhor todo poderoso, master of universe, o sabe tudo? Hein, hein?  Quase morri de desgosto! Enlouqueci e abandonei tudo. Larguei minha casa, fechei os portões do Éden e jurei nunca mais voltar a por os pés ali. 
El: Não foi isso que ouvi falar... não que esteja duvidando.
Ev: A imprensa marrom do papai, tudo culpa daqueles jornalistas chapa-branca!  Ninguém veio ouvir meu lado. Até hoje meu filme está queimado. De vítima ultrajada virei culpada de toda desgraça. Só porque não perdoei aquele pulha do Adão, como o papai queria. Jogaram meu nome na lama!
El: Que horror!


Ev: Você não tem noção. Foi um inferno. Mas eu tenho gana, tenho garras, me virei muito bem sozinha. Logo depois, aquele traste, todo arrependido, veio atrás de mim... pedindo perdão, jurando que me amava. Que tudo não tinha passado de uma aventura. Que era só auto afirmação porque no passado tinha sido rejeitado pela Lili. Ela deu o maior pé na bunda dele, foi motivo de chacota por anos... só que eu nem fazia ideia disso. Parece que algum anos antes, papai resolveu tentar restabelecer contato com minha irmã e usou o incompetente do meu marido pra isso. Rolou um clima, papai achou que seria legal formalizar as coisas, ele é apegado a isso de casamento, família, tradição, sabe... Mas a Lili caiu fora. Foi um golpe inesperado!
Eu, protegida dentro do meu castelo de cristal nunca soube de nada, era uma criança na época. E papai é muito bom nisso de abafar e fazer calar a boca. Toda imprensa come na mão dele. Todos dançam conforme sua música. Sempre foi assim. 
El: Toda família tem seus podres, calma. Isso acontece...

Recomeçamos...

Ev: Agora sei disso, já encaro melhor tudo o que passou. Pensando bem, foi até bom pra nós dois sairmos de lá. Foi duro, recomeçamos do zero, sem apoio nenhum. Fomos felizes por um bom período. E no meio dessa loucura toda, descobri que estava grávida. Quando penso em tudo o que houve... nem sei como dei conta. E ainda ficam dizendo que mulher é bicho fraco. Sabe lá o que é parir gêmeos numa caverna gelada sem energia elétrica? Sem anestesia? Sem ao menos uma doula? Sozinha de tudo? Não é brinquedo, não!!!
El: E o Adão? Não ajudou no parto?
Ev: Ajudou... ajudou muito, kkkkkk. O tonto desmaiou assim que viu a primeira gota de sangue. Quando acordou eu já estava de pé, com os meninos banhados e dando de mamar. Depois ele até que se saiu bem, acabou virando um bom pai. Amoroso e presente. Mas no dia do nascimento... só deu fiasco! 
El: Olha, não queria entrar no tema, mas... isso sempre me intrigou. Rola algum tipo de parentesco entre você e o Adão? 
Ev: Querida, melhor passar batido por essa questão. Deixa isso pra lá, a árvore genealógica da família é meio zoneada. Naqueles dias a gente não sabia de nada, era inocente mesmo. Hoje, com todo avanço na educação e na biologia, sei dos problemas que isso traz (e trouxe), mas... Olha, vamos pular isso. O que está feito, está feito. 
El: E a sua irmã?
Ev: Bem, no princípio eu odiava ela... começamos com o pé esquerdo. Foram anos e anos pra gente conseguir ser civilizada uma com a outra. Boa parte disso culpa daqueles dois cretinos. Gente. Sabe quantos anos de terapia gastei pra falar isso? Meu pai foi um cretino. Meu marido foi um cretino. A culpa não foi minha! Hoje me sinto libertada: C R E T I N OS. Dois cretinos que foderam com minha vida, minha cabeça e meu nome!
El: Conseguiu superar, afinal?
Ev: Demorou um tempinho, sabe... e a passagem dos anos é meio relativa pra mim, como você pode perceber. 
El: Percebi.
Ev: Voltando ao que interessa. Tive meus bebês. Lili teve as dela - sim, ela engravidou daquele cachorro. Nosso pai, realizado e feliz como avô, tentava por panos quentes na situação... inventou até uma tese ridícula pra desculpar o comportamento do Adão, algo sobre espalhar sementes, blá blá blá.  Como se algum dia na vida aquele mauricinho mimado tivesse plantado algo. Querida, se não fosse eu, você poderia dar adeus pra agricultura. O negócio dele era escalar montanhas, velejar, jogar pólo, truco, desenhar e ocasionalmente caçar na floresta... um bom vivant! Agora me diz, o que eu ia fazer com aquele monte de carne que ele trazia quando resolvia caçar? Não tinha refrigerador, não tinha onde estocar. Era uma trabalheira conseguir um pouco de sal. Sobrava pra quem? Para mim! Defumar, salgar, limpar tudooooooo. 
El: Então ele caçava e pronto? Assunto resolvido.
Ev: Bem, ele era bom com as peles, fazia cada tapete e casaco lindos. Você precisa ver que belezura. Se tivesse o estudo correto, seria um grande modista, designer ou arquiteto. Tipo esses franceses que tem por aí e que ganham rio de dinheiro hoje. Tenho que admitir que ele tinha bom gosto e era caprichoso. Com o tempo acabou construindo uma bela casa para nós. Fez todos os móveis. Não sou ingrata... reconheço seu valor. Quando descobriu o que era possível fazer com fios de algodão e seda então! Um artista com as agulhas. Mas ajudar na cozinha ou no serviço da casa... nem pensar! Achava que tinha feito sua parte só por ter trazido um caça pra casa. Nem um churrasquinho no domingo, nada. Nunca tive folga. No meu tempo não tinha isso de ir pra restaurante no dia das mães. Era duro, minha filha.
Just peace & love!

El: Desculpa, Eva... é muita informação pra processar de uma vez.
Ev: Ele também fez um boa casa pra Lili, descobri depois. Por um tempo até tentamos ser uma família moderna, uma coisa meio hippie: paz, amor e muito sexo. Sabe, isso de relacionamento aberto... mas não deu.  Foi um bom pai pra todos nossos filhos, os meus e os dela. Mas uma porcaria de marido, verdade seja dita. Depois de 20 e poucos anos acabei cansando disso tudo e mandei ele catar coquinho. Foi outro escândalo na família. Papai tomou as dores dele!


El: Homens...
Ev: Os dois acabaram se unindo e eu virei a vilã da história. Aliás, os dois sempre foram unha e carne. Um sempre acobertando o outro. Foi quando a Lili estendeu as mãos pra mim. Foi a única a compreender o que estava passando. Também, coitada... sempre foi tratada como a ovelha negra da família. Com o tempo acabamos amigas. A gente se fala pelo menos uma vez por semana. E nossa semana de férias em El Cabo é sagrada. Vamos pra lá todo verão, faz séculooooooooooooooooos. Até compramos uma casa de praia. Precisa conhecer qualquer dia desses. Aquele garoto, o George Clooney, é nosso vizinho.
El: Claro, obrigada pelo convite.
Ev: Disponha, criança. Afinal de contas... somos todos parentes, de um jeito ou de outro.
El: É isso que me assusta!
Ev: Bem, não se deixe abalar. A questão é que preciso de sua ajuda para reencontrar minha mãe. A Lili já tentou, mas desde o caso com o Adam, ela perdeu o contato. Procuramos, reviramos o universo de cabeça pra baixo e nada. Papai nem quer saber do assunto. Temo provocar a ira dele de novo. Sabe lá o que aquele doido é capaz de fazer quando perde a cabeça. Se bobear, cisma de destruir o mundo todo mais uma vez e recomeçar do zero. Não custa nada. Andei tentando com o nosso irmão caçula, mas ele também tem seus limites quando o assunto é o papai.
El: Irmão caçula?
Josh na sua fase nerd, estudando no templo.

Ev: É, o temporão da casa...  Joshua... Jesus! Um fofo o Josh, olha tenho umas fotinhas dele aqui, quando ainda estudava no templo... ai, que saudades dele. Um prodígio, tão precoce! Acho que já ouviu falar. Um amor o menino, se não fosse ele... sei lá o que teria sido desse mundo. Só aquele lá consegue botar freio no nosso pai. Minha madrasta, então, uma santa! Tenho até receio de magoar ela, nessa busca pela minha mãe biológica, mas... ela disse que compreende perfeitamente. Papai é doido por ela... faz tudo que pede. As coisas estão mais tranquilas desde que ela chegou no céu e tomou pé da situação. Sempre achei que faltava um toque feminino naquela casa. Acredita que ela até conseguiu fazer o papai se barbear? Ele deu uma bela remoçada. 
El: Só um minutinho... acho que quem precisa de um copo d'água agora sou eu.
Ev: Perde seu tempo, não. Água com açúcar não vai resolver nada. Aceita um bourbon? Tenho um maravilhoso numa garrafinha aqui na bolsa. 
El: Ãh?
Isso acontece, já estou 100% rehab.

Ev: Não se preocupa, o médico liberou. Já superei meu problema com o álcool no início do século. Agora posso tomar um golinho de vez em quando. Garanto que estou 100% rehab. Adorooooooooooo bourbon!
El: Não obrigada, não sou chegada em uísque.
Ev: De nada. Bem era isso que tinha pra falar. Obrigada pela atenção. Toda ajuda é bem vinda. Estou fazendo um cursinho agora pra aprender a mexer nisso de computador e tal. O Jobs está me ajudando. Ele me deu de presente até esse telefone aqui, uma coisa de doido. Adorei isso de tecnologia e tudo mais. Estou pensando até em abrir um instagram, é tão divertido, rs. Tudo e todos conectados nessa rede que não é de aranha, mas parece... todo mundo junto. Aí pensei, quem sabe, acabo achando ela? Vai que alguém sabe de alguma coisa? Não tenho nada a perder. 
El: Agora entendi. 
Ev: Então, é isso! Se souber de alguma informação, ou se algum amigo ou amiga sua souber... é só deixar um recado aqui. Assim vou multiplicando minhas chances. E um dia acabo fazendo ela aparecer, sair desse exílio, seja lá onde estiver escondida. Papai prometeu que não vai criar caso, o que já é muito. E, ele é um homem de palavra. Se disse que não vai criar problemas dessa vez... é porque não vai. 
El: Boa sorte na sua busca. 
Ev: Na NOSSA busca. Essa história não é só minha, é de toda humanidade.


*Acreditam em sonho?  Em post criado inteirinho num sonho de uma noite de verão?  Pois esse veio assim... pronto, feito e 100% sonhado! Foi a primeira vez que isso aconteceu comigo. Um sonho com introdução musical de Raulzito.  Ui, meda da louca que agora sonha com posts prontos e com trilha sonora.

Sunday, October 6, 2013

O primeiro dia no parque




Finalmente conseguimos levar a Mia ao parque dos cachorros, aqui em Phoenix.
O tempo está começando a amenizar, a vida está em ordem e lá fomos nós, dar um pouco de alegria para a bichinha.
O parque é lindo. Tem um lago para os cachorros nadarem ( e eles se esbaldam. correm, pulam, brincam muito!).
Tem uma área fechada para os cachorros ficarem sem coleira  e uma outra area para cachorros timidos.
Primeiro a Mia ficou olhando, confusa, sem entender de onde vinha tanta cachorrada.
Pouco depois ela decidiu se esconder atrás de nós e ficar quietinha, para ver se os outros cães não a notavam.
Percebemos que a Mia é uma cachorra timida, e fomos á area designada a ela.
cachorra timida? A Mia estava mais para cachorra apavorada.
os outros caezinhos vinham correndo brincar com ela, cheiravam, tentavam puxar "conversa"e nada...
O máximo que nós conseguimos foi que ela ficasse nos arrastando para o portão, na esperança de sair dali.

Mia quase nos matou de vergonha, mas domingo que vem tem mais tortura canina. Uma hora ela se acostuma...

Saturday, October 5, 2013

O primeiro dia de trabalho - Blogueira convidada - Raquel

  
 O blog da Raquel é aquele cantinho gostoso, onde você vai se acomodando e fica.
Ela tem o maior carinho pelos seus leitores e ainda se dá ao trabalho de responder a todos os comentarios, sempre com a maior gentileza.
Já vi a Raquel sendo fofa com pessoas que eu mandaria á PQP sem pensar duas vezes. Acho inclusive que eu, algumas vezes mereci ser mandada a PQP por ela e não fui...
Acreditem, vale a visita ao Eu, sona de casa?
Com vocês, a fofa da Raquel

Seria uma segunda-feira comum se não fosse meu primeiro dia de trabalho. E quando eu digo ´primeiro´ eu me refiro ao início de tudo. Era o meu primeiro dia de trabalho no meu primeiro emprego. Iria me relacionar profissionalmente com pessoas em um ambiente corporativo pela primeira vez: chefe, metalúrgicos, financeiro, office boy, etc.
Seria secretária e estava contente por isso, apesar do nervosismo.
Na primeira ligação já atendo um mala sem alça pedindo para falar com quem? Com o chefe... e o chefe, pra variar, já havida deixado claro que não queria falar com o tal camarada, caso ele ligasse.
- Desculpe, mas o Dr. Márcio não está. Gostaria de deixar algum recado?
- Doutor? Desde quando o Márcio virou doutor? Tá de sacanagem, né garota?
Sinto meu rosto queimar de vergonha... de onde eu tirei esse ´doutor´? Meu chefe não era doutor em porcaria nenhuma. 
Algum tempo depois atendo uma outra ligação de uma agência de viagem e a moça do outro lado da linha gentilmente me pede para anotar o PTA de uma reserva de passagens aéreas... gente, naquele tempo (que nem faz tanto tempo assim... só uns 13 anos atrás), o localizador da passagem era chamado de PTA (alguém aí é dessa época????).
Depois de uma breve explicação por parte da agente de viagem, fui anotando direitinho (e sem entender nada) o que ela me falava em seguida levei para o meu chefe. Ele lê o recado no pedaço de papel, olha para a minha cara e cai na gargalhada. No papel estava escrito: Alfa - Sierra - Fox - número 3 - Charlie - Tango
Gente, eu não sabia que era para anotar somente: ASF3CT... e também não sabia onde enfiar a cara de tanta vergonha... mas para bom entendedor, algumas palavras bastam!
O auge do dia aconteceu quando precisei levar um café para o meu chefe espirituoso.
Com a bandeja na mão, eu subo as escadas com todo o cuidado. Entro na sala com todo o cuidado. Vou me aproximando da mesa de trabalho onde está meu chefe analisando uns contratos... e PLAFT! Tropeço no pé da cadeira, deixando cair o copinho descartável de café em cima da mesa, onde estão contratos importantes da empresa.
Com o rosto queimando (de que???) de vergonha, peço desculpas e saio da sala correndo em busca de alguma coisa para limpar a bagunça que deixei para trás.
Estabanada? Eu?
Só um pouco!!!
Para a minha sorte, não fui demitida no meu primeiro dia de trabalho. 
Mas os primeiros dias foram tensos... e depois de alguns anos trabalhando para o 'doutor' Márcio, ele ainda me lembrava daquele fatídico dia em que ele virou doutor, em que o PTA foi escrito por extenso e do café voador.

PS.: as informações e nomes contidos nesse texto foram modificadas para manter a privacidade dos envolvidos. 

Friday, October 4, 2013

Pagando sapo pro zôto na rua

Certa vez, quando eu era criança, li na revista Nova uma entrevista com alguma gênia que afirmou que o assédio nas ruas devia ser obrigatório, pois a mulher que não recebe uma cantada de pedreiro não sabe o que é ser feliz. 

Minha cabeça de criança acreditou naquilo por muitos anos, até que eu entendi, pela experiência das ruas, que não tem nada de romântico em ser abordada por desconhecidos na rua, que acham que porque a mulher é diferente do homem merece ser tratada como item à exposição na feira.


Com o tempo e o excesso de abordagens incômodas, fui, pouco a pouco, tomando nojo de receber cantadas nas ruas. Geralmente, eu só fazia cara feia quando ouvia alguma piadinha ou assovio, até o dia em que eu extrapolei. 

Numa chuvosa manhã de sábado - em que eu estava furiosa, mas não queiram saber porque, saí com minha mãe e minha irmã pra ir pra academia. 
Perto aqui de casa tem um mercado e pra ir à academia precisamos passar em frente ao local de carga e descarga de mercadorias, que está sempre cheio de caminhões. Quando fomos passando, um homem coloca a cabeça pra fora e começa a assobiar, e a fazer piadinhas, e assoviar mais.
Não aguentei: parei e dei uma bronca nele. Onde já se viu ficar fazendo fiu fiu pra minha mãe? Mandei ele ir assoviar pra mãe dele! Acho que o homem não acreditou, porque ficou mudo e voltou pra dentro do caminhão.

Levei tantas broncas por causa disso! Entendi perfeitamente que todo mundo estava preocupado em o homem ficar com raiva e me xingar, me atacar na rua depois, tentar me agredir... Mas continuei revoltada, porque ouvi muitos "se não estivesse com essa roupa de academia ele não tinha dito nada" e também os inacreditáveis "qual o problema do homem assoviar? ele só está se divertindo!".


Mais de seis meses depois, lendo coisas na internet, encontrei o blog Chega de fiu fiu, que faz uma campanha contra o assédio nas ruas. Ali eu vi um montão de depoimentos de mulheres que se sentem - como eu - invadidas e desrespeitadas pelas cantadas recebidas nas ruas e outras coisas bem piores, vi homens que apoiam a causa e vi homens que defendem o direito de assediar, dizendo que a culpa é das mulheres, que saem com roupas provocantes, que as mulheres só se ofendem porque não é o Brad Pitt que as está cantando, que as mulheres que reclamam são mal-amadas-comidas etc...

Os comentários inteligentes desses últimos homens foram perfeitamente explicados por esse vídeo, onde um grupo de comediantes indianos nos esclarece acerca das causas do estupro.

E as leitoras e leitores da Gaiola, o que acham disso tudo? 

OBS: também fiz um post sobre isso outro dia no blog da Garrafinha (http://pordentrodagarrafinha.blogspot.com.br/2013/09/chega-de-fiu-fiu.html), e estou carente, porque ninguém leu!

Leiam, por favor, leiam, leiam, leiam!!!....


Thursday, October 3, 2013

Desventuras em BSB

Como havia dito na semana passada, eu fui para Brasília.

E essa não seria uma simples viagem à Brasília. Seriam dias de glória, pois metade da diretoria do Gaiola se reuniria para dominar o mundo fazer um balanço do blog e tomar muito champagne decisões importantes de planejamento estratégico.

Além disso eu ficaria hospedada na casa de uma querida amiga que há muito eu não via. Seria apenas glamour e brilho!

Dai eu parei de sonhar e a viagem foi assim:

Cheguei no aeroporto de BSB às 17:30 e fiquei até as 19:00 esperando a amiga chegar no aeroporto para me buscar. Foi quando ela me ligou e disse que um motoqueiro tinha batido no carro dela e ela estava levando o cara pro hospital porque ele estava SEM UM PEDAÇO DO DEDO!

Pensei: Beleza! Agora ela vai passar a noite lá no hospital e eu vou dormir onde? hum... Acho que vou pedir abrigo pra Electra... mas pô, nem conheço a pessoa ao vivo e já vou chegar falando que preciso dormir na casa dela? Não.. minha cara de pau num é tão forte assim... Posso tentar falar com a Estagiária Inominada, já que ela eu conheço pessoalmente, já tenho mais intimidade, mas ela mora muito longe e eu vou chegar na casa dela já na hora de voltar... Bom, vou tentar um hotel!

Perguntei pra minha cunhada se tinha vaga no hotel que ela tava (ela estava lá participando de um congresso) e é lógico que não tinha.

Ia ser assim, só que eu ia acordar sem as bagagens...
Então pensei: Vou apelar pro Amigo (que vou chamar aqui de GD).

Explicando as condições da casa do GD: Com uma filhinha de seis meses de idade, recém operado de hérnia, e quando eu falo recém operado é recém mesmo. Ele tinha operado na segunda feira e eu estava lá em BSB na quarta a noite. E pra completar, a sogra estava hospedada na casa dele.

Deixei minha vergonha pra lá e, em nome da boa amizade e dos velhos tempos de faculdade, liguei pra ele e pedi abrigo. Ele prontamente disponibilizou a casa, mesmo com toda a situação. E eu resolvi então jantar no aeroporto mesmo pra não abusar tanto da hospitalidade dele.

Quando eu estava sentada, esperando minha picanha bem passada (porque né, eu merecia isso depois de me sentir uma sem-teto), a amiga me ligou falando que estava chegando pra me buscar. Depois eu fiquei pensando: Acho que sou retardada, porque era óbvio que ela num ia me deixar lá desamparada né. Mas na hora eu juro que achei que ia.

Filme "O terminal" - Viktor Navorski, tamo junto!!!

Fomos pra casa dela. Longe. Lá no Varjão. Mas tudo bem, a gente tava de carro e ela e a namorada me receberam super bem (são uns amores e eu adoro as duas).

No dia seguinte eu fui cedo participar de um curso (desculpa que eu arrumei pro chefe me deixar ir pra BSB) e na hora do almoço seria nossa Reunião Gaiolística (verdadeiro motivo pelo qual eu quis participar do curso em BSB).

Electra foi, a Estagiária Inominada não! Como sempre estagiário nunca faz nada direito. Não sei o que ela vai ter que fazer agora para se desculpar comigo e com a Electra (aceitamos sugestões!).

Ah... estagiários.... ainda bem que eu nasci formada!

O almoço que era pra durar duas horas, foi diminuído para uma horinha só. Mas tudo bem, quem está ligando para a segunda parte do curso? Eu chego atrasada e pronto!

Electra chegou lá toda linda e cheirosa! Gente, eu tenho que falar! Eu nunca consegui chegar num lugar e alguém dizer "nossa que perfume bom". De duas a uma, ou eu sou fedorenta ou os meus perfumes não prestam, porque eles não duram na minha pele, e eu sou frustrada por causa disso! Hunfff!

NOSSA!!!! SERÁ???

Fomos até o The Fifties, no Pier 21, e começamos a falar mal da estagiária furona colocar as novidades em dia. Até que os sandubas chegaram, junto com as batatinhas cheias de queijo e bacon, porque segundo Electra, ninguém pode engordar sozinha, então fizemos isso juntas! Isso que é amizade ein!

Eu, muito chique e bem vestida para o curso, resolvi que queria comer sanduíche com ketchup. Porque o ketchup que tinha lá era aquele gostosinho da Heinz (não era aquele fuleiro que eu como no sanduíche porcão aqui da esquina).


Eu abri a tampinha, olhei bem de perto para o buraquinho do ketchup, vi um plastiquinho e pensei "Será que tá aberto?", dai eu apertei!

Porque né, eu num ia mirar o buraquinho pro prato e nem para o sanduíche antes de ter certeza que ele estava aberto. O melhor mesmo era mirar o buraquinho no olho e apertar.


Voou ketchup na minha cara, na minha roupa, no meu cabelo, no banco... só não voou no sanduíche e na Electra (graças à Deus). Dai eu fiquei lá com aquela cara de susto, cheia de ketchup, pensando "Como eu sou estúpida, meooodeossssss!"... Electra foi super delicada e deu uma leve risadinha, bem mínima e ficou falando pra eu não abaixar a cabeça porque ia melar mais ainda meu cabelo.

Foi assim, só que pior!

Abaixar a cabeça? Minha vontade era me enfiar debaixo da mesa e num sair nunca mais de lá. Com muito custo e muito guardanapo eu me limpei e fiquei ali, com o cabelo duro, cheirando ketchup e agradecendo à Deus porque eu tinha escolhido um vestido preto pra vestir, porque se não eu ia voltar pro curso parecendo ter tido uma hemorragia.

Eu sei como é...

Electra, lindona, obrigada por você não ser a Sherazade, porque se fosse ela eu tenho CER-TE-ZA que enquanto eu me limpava ela estaria tirando fotos e postando no nosso grupo!!!

Infelizmente meu horário de almoço acabou e eu tive que voltar para o curso. E depois para Aracaju. Mas apesar de todas as desventuras, a viagem foi ótima e valeu muito a pena ter visto minhas queridas amigas!!!
Poder dar um abração na Electra e ficar conversando sobre a possibilidade de sermos vizinhas... (depois eu conto o porquê...).

Ah, e pra vocês MORREREM DE INVEJA, eu ganhei presente... mas depois eu conto qual foi!

Quem sabe uma hora eu consiga arrumar um curso pra fazer no Rio, ou até mesmo nos EUA, ou na Bélgica... deixa meu chefe ficar de bom humor que eu tento!